sexta-feira, 6 de abril de 2012

CAMÉLIAS EM SINTRA


Jornal SOL de 05 de Abril de 2012

 

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

A paixão de Cristo é a narrativa do calvário de Jesus desde o momento em que ele é preso no Monte das Oliveiras, após a realização da última ceia com os apóstolos, até à sua morte na cruz. Na mesma noite em que é preso sob ordem de Caifás, o sumo sacerdote e maior autoridade do povo judeu, Ele é julgado de forma sumária pelo Sinédrio, conselho dos anciões e suprema corte judaica. Acusado de blasfemo por se apresentar como o Rei de Israel, Jesus é condenado à morte. Como a região da Judéia estava sob domínio do Império Romano, caberia a Pôncio Pilatos, autoridade máxima romana na região, aplicar a punição. Pilatos ofereceu a possibilidade de suspensão da condenação de Jesus, mas a multidão que estava no local incitada pelos sacerdotes preferiu que a liberdade fosse dada a Barrabás, um ladrão e assassino também condenado à morte.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

"SONO FINAL", NO SOLO PÁTRIO...BEM MERECIDO PELO HOMEM REI, COMO CRISTÃO E COMO PORTUGUÊS..."

A 5 de Abril de 1967, faz hoje precisamente quarenta e cinco anos, chegaram a Lisboa em aviões da Força Aérea Portuguesa, os restos mortais do Rei Dom Miguel I e sua Mulher, a Rainha Dona Adelaide Sofia.
No ano de 1966, celebrou-se o 1º Centenário da morte de Sua Majestade El-Rei Senhor Dom Miguel, ocorrida em Bronnbach (Alemanha), no ano 1866.
Um grupo de monárquicos, com o apoio do Senhor Dom Duarte Nuno de Bragança, intercedeu junto do governo português para recolher de volta os restos mortais deste Monarca e esposa ao solo da Lusa Pátria. O pedido foi bem acolhido pelo Presidente do Conselho, que ordenou que as cerimónias dessa trasladação se revestissem de todas as honras de Estado.
No exílio Dom Miguel falava do adorado Portugal e vivia permanentemente cercado das boas recordações da sua Pátria. Após o casamento com a princesa Dona Adelaide de Loewenstein, Dom Miguel sossegou na paz do seu lar, entregando-se à esposa e à educação dos filhos. Mas nunca perdeu o amor pela Pátria – Portugal. Era uma verdadeira paixão. Dizia muitas vezes que nunca mais lá voltaria, morrendo de um angustiante desgosto.
A Rainha Senhora Dona Adelaide aprendera a falar e a escrever português e acompanhava o Rei, seu marido, no vivo e sincero amor pelos portugueses e por Portugal que considerava a Sua Pátria.
Portugal também não o esqueceu, pois quando chegou a triste notícia da sua morte ao Reino, naquela manhã fria de 14 de Novembro, toda a imprensa fez eco da morte do Rei exilado. O Rei Dom Luíz I decretou luto nacional por vinte dias.
Voltemos ao dia 5 de Abril de 1967. Foi na bela capela da Base Aérea de Alverca que se deu o reencontro das urnas com os despojos reais de Dom Miguel e de Dona Adelaide. Os restos mortais de Dom Miguel, oriundos da Baviera, e os da Rainha Dona Adelaide, procedentes da Abadia Beneditina de Ryde (Ilha de Wight) e onde professara votos depois da morte do marido, encontravam-se finalmente em Luso território.
Naquele local sagrado, procedeu-se à imposição dos pavilhões reais, seguindo-se o cortejo fúnebre, com as devidas honras dos vários ramos das Forças Armadas Portuguesas.
Já no final da tarde desse dia, os despojos reais foram acolhidos no Templo Vicentino pelo Reverendo Padre Correia da Cunha que os encaminhou até ao estrado montado no transepto. As urnas reais foram colocadas sobre áureas essas, ladeadas de 4 enormes tocheiros dourados, dando-se início a uma pequena celebração litúrgica. A guarda de honra foi prestada por cadetes das várias escolas militares, cavaleiros da Ordem Soberana e Militar de Malta, a que Dom Miguel pertencera, e cavaleiros da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.
As cerimónias solenes, com missa de “Requiem” seriam reservadas para a manhã do dia seguinte, com a presença de Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, numerosos cónegos e beneficiados da cúria patriarcal. O canto esteve entregue ao Grupo Coral Stella Vitae, tendo como acompanhamento a Orquestra da Emissora Nacional.
Todo o majestoso templo se encontrava decorado de panejamentos negros bordados a ouro e prata. No largo frontal da igreja, estavam formadas forças em traje de gala do exército, da armada e, em plano de destaque, a Banda da Marinha de Guerra.
Os convidados para as Solenes Cerimónias iam tomando os lugares que lhes eram indicados pelos serviços do protocolo do Estado.
No ano de 1967, era um jovem adolescente, mas recordo como se fosse hoje, que ao subir as escadarias da majestosa Igreja de São Vicente de Fora, o Senhor Dom Duarte Nuno de Bragança e toda a família, foram aclamados efusivamente por um grupo de monárquicos com vivas, palmas e gritos de Viva o Rei! Viva o Rei! Viva o Rei! O que foi repetido pela multidão do povo em entusiásticas e prolongadas ovações.
Perto do meio-dia, chegou o Sr. Prof. Dr. Oliveira Salazar que foi recebido com uma aclamação: Viva o Rei! O Presidente do Conselho esboçou um suave sorriso, que penso ter sido revelador do seu mais íntimo pensamento: “Como gostaria de ser 1º Ministro de um Rei Absoluto.”
A encerrar o cortejo das mais relevantes figuras públicas do Estado, estava o Sr. Presidente da República, Almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz, ao qual foram prestadas as devidas honras militares pelas forças militares ali presentes.
Na foto podemos observar a recepção que o Padre Correia da Cunha prestou ao seu amigo Almirante, dos tempos da Armada, quando o mais alto magistrado da nação se dirigia para as cerimónias exequiais de Sua Majestade El-Rei Dom Miguel de Bragança.
Na Marinha Portuguesa, o Padre Correia da Cunha exerceu as funções de capelão. Nesse dia era o anfitrião, na qualidade de Pároco da Paróquia de São Vicente de Fora e guardião do Panteão da Dinastia de Bragança.
Após a leitura do Evangelho, subiu ao púlpito o Padre jesuíta Dr. Domingos Maurício, que prestou uma sentida homenagem à memória de Dom Miguel: - “No desterro imposto pelas contingências políticas obscureceu-se a lembrança das vossas benemerências nacionais… Surgiu, enfim, o momento redentor, a hora da reparação sincera, que vos reintegra no lugar que vos compete na tessitura histórica de Portugal.”
Terminada a missa, cantada em latim, o Sr. Cardeal Patriarca, dirigiu-se para o transepto, onde deu as absolvições finais.
Num pequeno cortejo encabeçado pelo Reverendo Padre Correia da Cunha, as urnas foram transportadas pelos claustros do mosteiro até ao Panteão da Dinastia de Bragança. Os sinos dobravam a finados e uma bateria de artilharia saudou Sua Majestade El-Rei Dom Miguel de Bragança, com vinte e um tiros. Em dois túmulos vazios, no lado esquerdo do altar, obra do prestigiado Arqtº Raul Lino, os ataúdes foram tumulados, ficando ao lado do túmulo de Dom Pedro IV, irmão com o qual Dom Miguel andou desavindo em vida.
Curiosamente em Março de 1972, os restos mortais de Dom Pedro IV, Rei de Portugal e 1º Imperador do Brasil, por decisão do Governo Português deixaram o Panteão da Dinastia de Bragança e foram repousar no Monumento do Ipiranga em São Paulo – Brasil.

A partida dos despojos mortais de Dom Pedro IV desfalcou o Panteão Real de São Vicente de Fora, povoado de tantas memórias ligadas à enorme civilização lusíada, de que tanto nos orgulhamos. Mas uma coisa é certa, na sua nova morada ele seria único e insubstituível como o verdadeiro fundador da nacionalidade Brasileira. Resta-nos o coração de Dom Pedro IV na invicta cidade do Porto, e na memória dos portugueses como símbolo de liberdade, patriotismo e coragem deste nobre povo.
Padre José Correia da Cunha

HOJE É QUINTA-FEIRA SANTA

Quinta-Feira Santa é a Quinta-Feira da Semana Santa, um dia antes da Sexta-Feira da Paixão (a Quinta-Feira antes da Páscoa). Quinta-Feira Santa é o nome dado ao dia em que Jesus celebrou a Páscoa judaica com Seus discípulos, também é conhecido como a Última Ceia.
Em primeiro lugar, Jesus celebrou a Última Ceia com Seus discípulos e assim instituiu a Ceia do Senhor, também chamada de Comunhão (Lucas 22:19-20). Algumas igrejas Cristãs celebram um culto de comunhão especial na Quinta-Feira Santa em memória da Última Ceia de Jesus com seus discípulos. Em segundo lugar, Jesus lavou os pés dos discípulos como um acto de humildade e serviço, criando assim um exemplo de que devemos amar e servir um ao outro em humildade (João 13:3-17). Algumas Igrejas Cristãs realizam uma cerimónia de lavagem de pés na Quinta-Feira Santa para comemorar Jesus lavando os pés dos Seus discípulos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

DIOCESE DISTINGUE FAMÍLIA DE CARLOS DE ÁUSTRIA

Jornal da Madeira de 03 de Abril de 2012

ENTREVISTA A S.A.R., DONA ISABEL DE BRAGANÇA: "AS TRADIÇÕES NÃO PODEM CAIR NO ESQUECIMENTO".

Para ler aqui
Revista SIM de 01 de Abril de 2012
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No dia em que foi entronizada confrade da Confraria do Pão-De-Ló, Dona Isabel de Bragança falou da importância de preservação das tradições e no trabalho que a Casa Real desenvolve nesse sentido.

Como recebeu a notícia que ia ser distinguida pela Confraria do Pão-de-Ló?- Há algum tempo, perguntaram-me aqui em Guimarães se gostaria de entrar na Confraria. E eu, como apreciadora de pão-de-ló, aceitei logo. Para mim, é um orgulho estar aqui.

A Família Real é presença habitual neste tipo de iniciativa. Porquê? - Estes produtos fazem parte da alma portuguesa. As Confrarias têm um papel principal na preservação do que é português e dos valores portugueses. Temos o património cultural e temos também o gastronómico. Todos juntos é que fazem o que é ser português. Estas iniciativas são de louvar e todas as pessoas que lutam para preservar as tradições merecem o nosso reconhecimento. Por vezes, há pessoas que não percebem todo o trabalho que é feito pelas confrarias, mas há muitas que reconhecem e compreendem que só assim as tradições se vão manter.

Tanto a Dona Isabel como Dom Duarte estão envolvidos em muitas ações deste género. Quer dar alguns exemplos? - Nós apoiamos várias e tudo o que é promover Portugal no Mundo e mesmo cá dentro tem sido o nosso trabalho, meu e do meu marido [Dom Duarte Pio]. O meu marido defende sempre a história e a cultura portuguesas; muitas vezes, é um pouco incompreendido. E não é só nestes assuntos. Veja o exemplo da Expo e do euro 2004: ele sempre alertou que se estava a gastar demais. As pessoas criticaram mas agora começam a dar razão. Nós trabalhamos bastante, mas talvez não seja tão visto quanto isso.

Mas sente que a Casa Real é reconhecida? - Eu penso que o povo percebe que está ali uma Família que os defende, disso não tenho dúvidas. Há pessoas que não concordam… Penso que o que é importante é que nós temos que nos juntar todos e tentar ajudar Portugal e os portugueses a sair da crise.

Como acha que os portugueses veriam o regresso da Monarquia? - Depende como entenderem. Há pessoas que sabem e que olham para vários países e percebem que são países mais evoluídos. Não é que não tenham crise, mas têm outra estabilidade. Outras pessoas vão um pouco pelas revistas cor-de-rosa e pensam que vivemos num mundo de fantasia… Eu acho que o nosso trabalho, nomeadamente do meu marido, é defender Portugal, as nossas tradições e costumes. Nesta altura, não pensamos muito na questão do regresso da Monarquia; tentamos perceber como ajudar os portugueses a despertar para algo melhor.

VÍDEO: FAMÍLIA DO IMPERADOR DA ÁUSTRIA NA MADEIRA



segunda-feira, 2 de abril de 2012

BISPO DO FUNCHAL RECEBE EM AUDIÊNCIA MEMBROS DA CASA REAL AUSTRÍACA E PORTUGUESA


D. António Carrilho recebeu esta manhã cumprimentos de representantes da Casa Real Austríaca e Portuguesa que estão na Madeira em peregrinação ao Imperador e Beato Carlos de Áustria.

A audiência, no Paço Episcopal, contou nomeadamente com a presença de Dom Duarte de Bragança, membros da realeza e da Igreja austríacas.

A comitiva oficial integra um grupo de peregrinos que se deslocou ao Funchal para prestar homenagem ao Imperador e Beato Carlos de Áustria, falecido entre nós há 90 anos (a 1 de Abril de 1922), e que se encontra sepultado na igreja de Nossa Senhora do Monte.
Jornal da Madeira, 02 de Abril de 2012

IMPRENSA: FAMÍLIA HABSBURGO DESTACA LIGAÇÕES COM A MADEIRA

Cerca de 80 elementos estão na Madeira, por ocasião de mais um aniversário do falecimento do Imperador.
O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, recebeu hoje os membros da família do Imperador Carlos da Áustria “O Beato”, que se encontram de visita à Região Autónoma da Madeira, por ocasião de mais um aniversário do falecimento do Imperador.
Karl von Habsburgo, atual chefe da Casa de Habsburgo, falou sobre as visitas à Região, não apenas com a família, mas com grupos de amigos, aos quais faz frequentemente de guia. Mais do que as ligações oficiais fica um grande apreço à população e as ligações que mantemos com a história da sua família.
A comitiva integra cerca de 80 elementos, de quatro gerações da família Habsburgo. A acompanhá-los está ainda Dom Duarte de Bragança e outros elementos ligados à Casa Real Portuguesa. Vinho Madeira e Bolo de Mel encerraram com chave de ouro o encontro.
Diário Cidade, 31 de Março de 2012

VÍDEO

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MEMBROS DA FAMÍLIA DO IMPERADOR CARLOS DA ÁUSTRIA RECEBIDOS NA CÂMARA DO FUNCHAL
Uma comitiva constituída por membros da família do Imperador Carlos da Áustria "O Beato", que se encontram na Madeira por ocasião de mais um aniversário do Imperador, ocorrida a 1 de Abril de 1892, no Funchal, foi hoje recebida no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal.
O presidente da autarquia, Miguel Albuquerque, ofereceu na oportunidade ao Chefe da Casa Imperial de Habsburgo, Arquiduque Carlos, a Medalha dos 500 Anos da Cidade do Funchal.
Entre os membros da comitiva esteve o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, que também assinou o Livro de Honra da Câmara Municipal do Funchal.
De referir que a comitiva dos membros da Família do Imperador Carlos da Áutria é constituída por 80 pessoas.
Jornal da Madeira, 31 de Março de 2012

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RECEPÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCHAL

Uma comitiva constituída por membros da família do Imperador Carlos da Áustria "O Beato", que se encontram na Madeira por ocasião de mais um aniversário do Imperador, ocorrida a 1 de Abril de 1892, no Funchal, foi ontem recebida no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal.
O presidente da autarquia, Miguel Albuquerque, ofereceu na oportunidade ao Chefe da Casa Imperial de Habsburgo, Arquiduque Carlos, a Medalha dos 500 Anos da Cidade do Funchal.
Este, agradeceu a hospitalidade dos madeirenses, realçando a ligação que existe entre a Madeira e a sua família e referindo que irá «continuar a trabalhar que continue a ser assim no futuro».
Entre os membros da comitiva esteve o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, que também assinou o Livro de Honra da Câmara Municipal do Funchal. Na oportunidade também agradeceu a hospitalidade das autoridades regionais e dos madeirenses, sublinhando que gostava de gozar a sua reforma na Madeira.
De referir que a comitiva dos membros da Família do Imperador Carlos da Áutria é constituída por 80 pessoas e vêm de vários países.
Jornal da Madeira, 01 de Abril de 2012

IMPRENSA: HABSBURGOS REFORÇAM LAÇOS COM A MADEIRA

Diário de Notícias da Madeira, 01 de Março de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

SEMANA SANTA 2012: DOMINGO DE RAMOS

Com o Domingo de Ramos começamos a Semana Santa. Somos convidados a contemplar o grande amor de Deus, que desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se homem e deixou-se matar pela nossa salvação.

S.A.R., DOM DUARTE DE BRAGANÇA: CARTA AOS MEUS IRMÃOS TIMORENSES

É sempre com preocupação que escrevo sobre qualquer assunto, pois sinto que sobre meus ombros pesa uma enorme responsabilidade histórica. Quis, com efeito, por uma misteriosa decisão, a Providência que sobre mim recaísse a representação da família que durante cerca de 800 anos presidiu aos destinos de Portugal. Embora os manuais de História tenham o hábito de dividir a história da monarquia portuguesa em quatro “dinastias”, estas não constituem na realidade verdadeiras dinastias, mas apenas sucessivos ramos da mesma Família Real, já que todos os monarcas portugueses foram descendentes de D. Afonso Henriques.O mesmo se passa com a casa de Bragança, de que sou o representante, que além de descendente de D. João I o é ainda do Santo Condestável, Nuno Álvares Pereira, herói da independência portuguesa em 1385, e hoje santo canonizado, venerado nos altares. Este peso histórico que herdei faz com que, sem discutir se tenho o direito ao trono, sinta que me obriga o dever do trono.
Esse dever encaro-o como o de representar misticamente o povo português na sua continuidade histórica, como a corrente profunda de um rio caudaloso que flui através das eras, sem embargo da agitação superficial das suas águas, causada pelos ventos da história que ora sopram daqui ora dali, ou dos pequenos obstáculos que empecilham ou fazem inflectir o seu percurso.
Ao povo português esteve, nos últimos quinhentos anos da sua história, associado o povo timorense, de que meus antepassados foram igualmente reis . Foi também por isso que, durante as horas sombrias da ocupação estrangeira de Timor, senti como uma obrigação a que me não podia eximir o dever de lutar para que ao povo timorense, que era também o meu povo, fosse reconhecido o direito a autodeterminar-se e escolher livremente o seu destino político. Empenhei por isso o prestígio que me advinha da minha ascendência, e até a herança dos laços de amizade fraterna estabelecidos outrora entre os meus avós e os soberanos que então reinavam na Indonésia, como os de Mataram, de que descendem os actuais sultões de Solo e Jogjakarta, para persuadir as autoridades indonésias a aceitar o diálogo, o que, com a ajuda de Deus, veio a produzir seus frutos.
Durante esses anos tive muitas oportunidades de colaborar com amigos timorenses, especialmente com o actual Presidente da República Dr. José Ramos Horta, que acaba de me distinguir com a Ordem de Timor, gesto que muito me sensibilizou!
Na concessão da nacionalidade timorense que me foi recentemente feita pelo Parlamento Nacional e de que tão orgulhoso me sinto, vejo, porém, mais do que uma retribuição por uma intervenção que me irmanou aos outros que lutavam pela liberdade do povo timorense, mas de qualquer forma me incumbia como dever histórico: leio aí também um desejo de perpetuar as relações profundas de Timor com o povo português de que, para além dos regimes e dos governos que constantemente se sucedem, creio representar de forma mais perene.
Faz este ano precisamente meio milénio que os primeiros portugueses chegaram a Timor e que, pelo punho de Francisco Rodrigues, a ilha apareceu pela primeira vez representada na cartografia. Esses primeiros portugueses eram na sua maioria comerciantes livres, que nos mares do Arquipélago procuravam agenciar a sua vida. Como muito bem notou António José Saraiva, um autor cuja formação inicial, de cariz marxista, torna insuspeito, ... estava-se na época do artesanato e do capitalismo mercantil. O objectivo das expedições era, acima de tudo, encontrar produtos de troca, o que até certo ponto, implica a ideia da igualdade dos permutantes. Só mais tarde se tornará dominante o propósito de ocupação territorial com vista à produção, de matéria primas para a transformação industrial no país dominante. As primeiras relações entre portugueses e timorenses foram assim relações de igual para igual.
Estimulados pelo exemplo de S. Francisco Xavier, que a partir de 1542 lançara em todo o Oriente a missionação em larga escala, os Missionários portugueses dinamizaram a sua obra em Timor. Os meus antepassados patrocinaram activamente a evangelização, chagando a dedicar aos subsídios aos missionários 8% do orçamento do Estado Português da Índia. Portugal nascera no quadro da Reconquista Cristã da Península Ibérica, gerando-se portanto como reino independente à sombra da fé cristã; e essa união perduraria pelos tempos fora, a ponto de ainda hoje se usar na Malásia a expressão papiar cristão, para significar “falar português”. É por isso impossível separar o cristianismo, hoje religião maioritária em Timor, da presença dos missionários portugueses. É bem significativo que todos os liurais que em 1702 aceitaram submeterse ao primeiro governador português e na sua pessoa prestar vassalagem a El-Rei de Portugal tivessem já nomes e apelidos portugueses, a demonstrar por um lado que antes de haver em Timor uma presença política efectiva de Portugal existia já uma forte influência religiosa, indissociável da acção desinteressada dos nossos missionários; e por outro a entre mostrar que ao tempo converter-se ao catolicismo significava integrar-se na sociedade portuguesa partilhando o sobrenome com uma família de Portugal, quase sempre da nobreza.
Durante século e meio a presença portuguesa em Timor limitou-se aos comerciantes e aos missionários, sem revestir um cariz político. Se o veio a tomar foi em consequência de uma conjuntura externa que levou alguns liurais de Timor a colocarem-se voluntariamente sob o protectorado português. Nos inícios do século XVI dois povos da ilha dos Celebes, os buguizes e os macaçares, começaram a lançar expedições corsárias contra as ilhas circunvizinhas, aprisionando homens e mulheres para os venderem como escravos. É certamente de um desembarque seu em Timor que guarda a memória a capital do Oé-Cússi, Pante Macaçar, ou seja, em malaio, Pantai Makasar, “a praia dos macaçares”. Em 1641 os corsários do sultão macaçar de Teló lançaram uma grande expedição contra as duas costas de Timor, arrebanhando cerca de 4.000 pessoas, que levaram como escravos para o seu país. Foi nessa aflição que as rainhas de Mena e de Lifau decidiram declarar-se vassalas do Rei de Portugal, em troca de protecção contra os macaçares; e nos anos imediatos outros chefes locais lhes seguiram o exemplo.
O protectorado só veio a tornar-se permanente e efectivo em 1702, quando desembarcou em Timor o primeiro governador português. Para sustentar a administração do território que se começou a organizar então, os liurais foram obrigados a contribuir com uma finta ou tributo, acordada entre cada reino e o governador. Mas mesmo o pagamento desse tributo foi encarado como a expressão de um parentesco estabelecido com el-Rei de Portugal, e por isso a cerimónia do pagamento era designada por siripinão, ou seja, o acto de mascar em comum bétele e areca , o que, como é bem sabido, constitui em Timor um sinal de fraternidade e comunhão espiritual.
Seja como for o povo e os liurais de Timor conservaram viva a noção do carácter contratual da sua relação com a Coroa portuguesa, recordando sempre que necessário aos seus representantes em Timor, “que esta terra não foi conquistada pela espada, mas pela água e pelo sal”, numa clara alusão ao ritual do baptismo.
Sem negar que a presença portuguesa em Timor tenha bastas vezes apresentado fases críticas, episódios de violência e de injustiça, prefiro fixar-me nestes aspectos positivos. Portugal foi, afinal, chamado a Timor para garantir a liberdade das suas gentes num momento em que buguizes e macaçares constituíam para ela uma perigosa ameaça. Não admira que, quando por um conjunto de circunstâncias infelizes ficou aberta a porta para uma invasão de Timor e a sua liberdade votou a periclitar o povo deTimor se tenha mais uma vez virado para os portugueses pedindo-lhe ajuda para a manter. Portugal foi num passado próximo que todos temos bem presente como num passado longínquo, que nem todos conhecem, mas que, como representante de uma instituição muitas vezes secular me apraz recordar aqui, o principal garante da liberdade do povo timorense.
Vejo a concessão da cidadania timorense de que hoje me honro e que a todos agradeço, não tanto como uma recompensa por serviços já passados, ou como um gesto meramente honorário, mas como um acto de renovação do pacto de fraternidade que há três séculos e meio os liurais de Timor celebraram com a Coroa portuguesa. Encaro-a, sobretudo, como uma nova responsabilidade que doravante recai sobre os meus ombros, talvez humanamente demasiado fracos para suportarem o peso das que historicamente sobre eles repousam, mas que mesmo assim procurarei aceitar e honrar com todas as minhas forças: a de que, como timorense, serei obrigado a servir Timor, quanto como representante da Família Real portuguesa deverei, como os meus maiores, continuar a ser garante da sua liberdade.

Dom Duarte, Duque de Bragança
Fonte: Casa Real Portuguesa