quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

REAL PANTEÃO DOS BRAGANÇA
Da autoria do Dr. Paulo Dias, licenciado em História pela Universidade de Lisboa, este Desenvolvimento da dissertação de Mestrado apresentada em 2003 na Faculdade de Letras, na Universidade de Lisboa sob orientação da Prof. Dra. Maria João Neto e do Prof. Dr. Vítor Serrão.
Álbum de 288 páginas profusamente ilustradas em formato 24x30 com carta de S.A.R., Dom Duarte Pio, Duque de Bragança, e prefácio do Prof. Dr. António Filipe Pimentel, docente de prestigio e autor de uma vasta obra documental de carácter histórico-científico.
O autor expõe com grande riqueza de pormenores as circunstâncias históricas, políticas, sociais e morais que determinaram a importância das exéquias e pompas fúnebres dos Príncipes e Infantes da Casa de Bragança e certas atitudes perante a morte, os cultos prestados às pessoas reais e, de uma maneira geral, as incidências ideológicas e iconográficas marcaram a importância dos sepultamentos régios da Dinastia de Bragança, as campanhas de obras do Panteão, etc.
Põe de manifesto o conjunto de fenómenos dos tempos e circunstâncias que envolveram e condicionaram essa importância dos sepultamentos régios na Dinastia de Bragança, considera os diversos projectos de asserção do poder régio, interpela as campanhas de obras, as suas permanências e mutações ideológicas e iconográficas, faz ressaltar certas evidências e coloca questões novas de algum modo intrigantes.
Os limites cronológicos – 1656-1951 – assinalam respectivamente os anos da morte de D. João IV, iniciador da Dinastia brigantina, e de D. Amélia de Orleans e Bragança, ultimo membro da Família Real recebido no Panteão.
Apresenta ainda numerosas perspectivas de enquadramento político e artístico das diversas fases da criação de um Panteão para a Dinastia de Bragança e dos seus representantes, incluindo as continuidades, descontinuidades e roturas estéticas e ideológicas que os tempos, os homens e as opções políticas não deixariam de impor e una história que integra e explica os circunstancialismos que molduraram a imagem e definiram o conceito de Panteão Real, circunstancialismos que foram determinantes na produção artística (ou na sua ausência) em torno da figura dos monarcas. A compulsão de fontes documentais não exploradas até agora permitiu ao autor trazer a lume questões novas sobre o tema, o que justifica a inclusão na parte final da obra de um criterioso corpus documental.
Além do Panteão de S. Vicente de Fora e da sua notoriedade no conjunto que aborda, inclui um capítulo inicial que permite apreender ao nível da tumulária as memórias respeitantes ao sepultamento dos Monarcas, as intenções ideológicas materializadas nos cenóbios escolhidos e as atitudes perante a contingência da vida humana. A importância que atribui ao Panteão Real de Santa Maria de Belém deve-se a factores diversos, mas principalmente porque inaugura no campo da tumulária um modelo eficiente e duradouro a nível dos valores políticos, religiosos e metafísicos.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Maria, parece-me que o derradeiro Bragança a ser sepultado no Panteão, foi D. Miguel, já nos anos 60 do século XX.