quarta-feira, 21 de setembro de 2016

DOM DUARTE DE BRAGANÇA ENTREGA PRÉMIO INFANTE D. HENRIQUE EM TORRES VEDRAS


Dezanove alunos da Escola Internacional de Torres Vedras (EITV) receberam das mãos de Sua Alteza Real D. Duarte Pio, do Dr. Carlos Bernardes, Presidente da Câmara de Torres Vedras e do Director da EITV, Engº Eduardo de Castro os Diplomas nas categorias Bronze e Prata do Prémio.
“Numa era conturbada em que os valores da ética e da formação moral e cívica dos nossos jovens são postos à prova, onde as oportunidades para uma efectiva realização pessoal são muitas vezes escassas, procuramos, através deste programa de actividades voluntárias e não competitivas, incentivar e reconhecer o mérito, a dedicação, a autoconfiança e a perseverança dos jovens participantes”, disse D. Duarte Pio na sua intervenção.
“Sendo a Educação um vetor estratégico da Câmara Municipal de Torres Vedras, foi com enorme prazer que acolhemos na nossa cidade a entrega dos prémios Infante D. Henrique”, disse Carlos Bernardes, Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras. ”O reconhecimento do mérito e da excelência aos alunos e professores da Escola Internacional vem contribuir, de uma forma integrada, para aprofundar o conhecimento e o modelo de cidadania ativa, da comunidade”, concluiu.
Por sua vez, o Diretor da EITV referiu que: “ao abraçar os desafios que lhe foram lançados pelo Prémio Infante D. Henrique procurou, poder proporcionar aos seus alunos, uma certificação de excelência, no domínio das Atitudes e Valores, competências estas que garantem um melhor desempenho pessoal e a construção de soluções de vida mais sustentadas; Incentivamos assim a imaginação na procura de soluções e a paixão pelo empreendedorismo; Combatemos o imobilismo e tentamos corresponder com empenhamento na construção de uma educação de qualidade. Na EITV, como no Prémio, acreditamos na Ética, na Inovação, na Tecnologia e nos Valores como fatores de diferenciação e desenvolvimento”, concluiu agradecendo a todos o empenhamento e dedicação que tanto prestigiam o Prémio e a Escola.
Para os alunos agraciados, a apreciação global é a de terem vivido “uma experiência sem igual, por nos ter permitido o contacto com o meio ambiente na sua interação mais direta, com a plantação de árvores e assim contribuirmos com o reflorestamento para o equilíbrio do meio ambiente” Para Maria Fernandes, Paulo Renato, Diogo Pereira, Duarte Brás e Ismael Santos, “fica ainda a experiência de interação entre grupo, com partilha de saberes, vivências e sem faltar o auxílio nas várias etapas realizadas.
Já Catarina Ferreira, Eduarda Santos, Mariana Francisco, Marta Dias e Sara Smith consideram “trazer desta aventura várias histórias inesquecíveis e também educativas pois é a partir dos nossos erros que aprendemos, e foi através desta realidade tão crua a que fomos expostos que nos apercebemos das nossas reais aptidões. Voltaríamos a fazer tudo de novo sem hesitar e agora só paramos quando tivermos a medalha de ouro na mão.”





















A categoria Bronze destina-se a jovens a partir dos 14 anos e a categoria Prata a jovens a partir dos 15 anos. Três monitores responsáveis pela formação destes jovens, Rita Santos, François Bartolomeu e Catarina Corredeira, receberão o Certificado de Reconhecimento pelo serviço prestado como Monitores Voluntários da Associação do Prémio Infante D. Henrique, no acompanhamento, orientação e instrução, de um grupo de jovens participantes da EITV.
A cerimónia decorreu no Auditório do Edifício dos Paços do Conselho, em Torres Vedras, a 16 de Setembro passado, e representa o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela Escola Internacional de Torres Vedras através do funcionamento com o programa do Prémio, junto dos jovens promovendo competências essenciais para as suas vidas futuras tais como persistência, compromisso, iniciativa, responsabilidade e desenvolvimento pessoal e social no período em que desenvolveram o Programa.
O Prémio assume crescente relevância ao atribuir valor ao curriculum vitae dos Jovens, como testemunho da sua preparação para os desafios profissionais e pessoais pela aquisição das necessárias competências.
O Prémio Infante D. Henrique é a versão portuguesa do “The Duke of Edinburgh’s International Award”, fundado em 1956 pelo Duque de Edinburgo. Em 1988, no Porto, Dom Duarte, Duque de Bragança, fundou a versão portuguesa, que adotou o nome Prémio Infante D. Henrique.
O Programa subjacente ao Prémio visa o desenvolvimento pessoal e social de atividades voluntárias e não competitivas, destinado a jovens entre os 14 e os 25 anos, encorajando-os a desenvolverem-se como cidadãos ativos, participativos, com uma contribuição positiva na sociedade e preparando-os com experiências de vida para marcar a diferença com eles próprios, as suas comunidades, e o mundo.
É um programa nacional e internacional que reconhece os jovens por aquilo que fazem: participando num serviço à comunidade e aprendendo a prestar um serviço, os jovens são incentivados a apoiar o próximo; praticando um desporto, adquirem um desenvolvimento físico e hábitos desportivos; passando pela secção de talentos, descobrem novas facetas em si ou simplesmente adquirem experiência profissional tão necessária nos dias de hoje; e na secção aventura, considerado um teste à sobrevivência, realizada em grupo e onde se destacam as qualidades de liderança, responsabilidade e maturidade.
Sendo um Prémio de candidatura livre, os alunos candidatos deverão, contudo, frequentar uma escola certificada para tal. Para que estas se possam candidatar, são desenvolvidas ações de formação, podendo as Escolas interessadas e os seus Professores, inscreverem-se na próxima formação, directamente para a Associação do Prémio Infante D. Henrique ou ainda através da página na internet.
21 de Setembro de 2016

EL-REI DOM MANUEL II, SEGUNDO MARGERY



Dom Manuel II Segundo Margery (1997)

Margery conta-nos como foram os dias de Dom Manuel II vividos em Fulwell Park, perto de Londres.

Dom Manuel II foi o último soberano a reinar em Portugal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

DOM MANUEL II - DEBATE "5 DE OUTUBRO E DOM MANUEL II: HISTÓRIAS E FICÇÕES"



A Real Associação de Lisboa promove no próximo dia 1 de Outubro pelas 15:30 (Sábado) na Academia da Estrela sita na Rua do Quelhas, 32 – Lisboa, o debate “Cinco de Outubro e D. Manuel II – Histórias e ficções” que colocará em confronto duas sensibilidades distintas de dois conhecidos jornalistas da nossa praça sobre a revolução republicana: pelo lado azul e branco a de Nuno Galopim, autor do “Manuel II – Os últimos dias do Rei” um romance histórico recentemente lançado; e pelo lado verde-rubro, a de Fernando Madail, autor do romance “A Costureira sem cabeça”, uma recriação da implantação da República contada por imaginários “dizeres do povo”.
Nuno Galopim começou por traçar um futuro nas ciências, mas o jornalismo, a rádio e, sobretudo, a música e o cinema acabaram por falar mais alto. Com 27 anos de carreira nos media escreve hoje no Expresso, Blitz, Metropolis e é autor dos blogues Sound + Vision e Máquina de Escrever. É o autor dos livros Retrovisor: Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho (2005), Os Marcianos Somos Nós (2015) e The Gift – 20 (2015) e colaborou na Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa. Os Últimos Dias do Rei é a sua primeira obra de ficção.
Fernando Madaíl nasceu em 1962. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, área que trocou pelo jornalismo. Jornalista desde 1980, colaborou em vários órgãos de comunicação, de que se destacam O Tempo, Diário de Coimbra, O Jornal de Coimbra ou O Jogo e o Diário de Notícias. É autor da biografia Fernando Valle – Um Aristocrata de Esquerda, publicada em 2003. A Costureira sem Cabeça é o seu primeiro romance.
Para mais esclarecimentos e inscrições contacte-nos através do endereço secretariado@reallisboa.pt, pelo telefone 21 342 81 15 ou presencialmente na nossa Sede nos horários habituais.
Real Associação de Lisboa

sábado, 17 de setembro de 2016

DOM CARLOS DE BRAGANÇA, REI E LAVRADOR

Dom Carlos de Bragança – Rei e Lavrador
Dom Carlos de Bragança, como filho primogénito do Rei Dom Luís I e na qualidade de príncipe herdeiro da Coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal e Duque de Bragança, recebendo aos 21 anos as propriedades do Morgadio da Casa de Bragança, ou melhor o usufruto dos rendimentos do ducado dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal.
Dom Carlos recebeu as propriedades hipotecadas, mas apesar de não possuir formação na área – impedido pela sua condição real, tornou-as lucrativas, prósperas e livres de qualquer penhor.
Era quando cruzava a Porta dos Nós do Paço Ducal de Vila Viçosa que El-Rei irradiava felicidade, pois o dever tornava-O num cidadão urbano à força, sempre nostálgico do bucolismo e com as raízes a chamarem-No à terra dos antepassados.
Assim juntando à especial capacidade para Reinar, aos dotes preclaros de uma inteligência cultíssima que se manifestava das mais diversas formas e talentos, El-Rei era, também um competentíssimo proprietário rural, conseguindo gerir de uma forma profissional as propriedades que recebeu em herança.
Era nas Suas propriedades alentejanas que Sua Majestade Fidelíssima estava nas suas sete quintas, despindo o uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e trajando como simples lavrador. Criou touros na herdade do Vidigal, em Vila Viçosa produziu vinho, cortiça, azeite, produtos reconhecidos cá dentro e além fronteiras como dos melhores que se produziam em Portugal, chegando a ser premiados, diversas vezes, internacionalmente.
Quando o Rei de 44 anos morreu, juntamente com o Príncipe Real de 20, tombados em serviço da Pátria e do Reino, às balas do terrorismo, em 1 de Fevereiro de 1908, no trágico episódio que ficaria conhecido na História de Portugal como o Regicídio – a Família Real Portuguesa regressava no Comboio Real precisamente das férias de Natal em Vila Viçosa -, Dom Carlos I de Portugal deixa em herança a Dom Manuel II um vastíssimo património livre de dívidas e um enorme conjunto de propriedades produtivas e lucrativas.
Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O REI - O HOMEM DO LEME





















O Rei – O Homem do Leme

O Rei será um marinheiro experiente que exerce como tal quando a ocasião requer: o autêntico 'Homem do Leme'!

* Fotografia: El-Rei Dom Carlos I de Portugal num bote a vapor na Baía de Cascais


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

AMIGOS E FAMÍLIA REUNEM-SE NA FRAGATA DOM FERNANDOII E GLÓRIA PARA RECORDAR A VIDA DA NETA DO REI DOM MIGUEL






Amigos e família reúnem-se na Fragata “D. Fernando II e Glória” para recordar a vida e obra da neta do Rei Dom Miguel.


































































Raquel Ochoa, autora do livro “A Infanta Rebelde”, uma biografia da Senhora Infanta.
A homenagem a S.A., A Senhora Infanta Dona Maria Adelaide de Bragança van Uden, que decorreu no passado sábado na Fragata “D. Fernando II e Glória” em Cacilhas, Almada, contou com a presença de S.A.R., O Duque de Bragança, bem como de vários familiares e amigos.
 A cerimónia organizada pela Real Associação de Lisboa, através do seu Núcleo Sul do Tejo juntou mais de cem pessoas num dia de sol e algum calor, para evocar a vida e obra de uma mulher excepcional com uma fé inabalável que dedicou a sua vida aos outros. Dona Maria Adelaide de Bragança van Uden ficou conhecida não só pela forma como sempre ajudou os mais desfavorecidos, atitude que na Segunda Guerra Mundial lhe custou por duas vezes a prisão, uma pela GESTAPO e outra pelos Soviéticos.
Durante a tarde os convidados tiveram oportunidade de ouvir cinco testemunhos que mostram a importância da Infanta na vida de cada um, mas também na sociedade portuguesa. O Presidente da Real Associação de Lisboa João Lancastre e Távora e Comandante José Rocha e Abreu, dirigente do Núcleo Sul do Tejo, destacaram a humanidade e a simplicidade da homenageada. Por seu lado, o Chefe da Casa Real Portuguesa, S.A.R., Dom Duarte Pio seu sobrinho e a Senhora D. Maria de Lurdes Seixas falaram sobre o relacionamento que mantiveram com a Infanta esta última no âmbito da sua extraordinária obra Social. A escritora Raquel Ochoa, autora do “A Infanta Rebelde”, uma biografia da Senhora Infanta, destacou alguns dos episódios mais singulares que ilustram a sua obra.
Com o apoio inestimável da Marinha Portuguesa e a presença do Senhor vereador da Cultura Eng.º António Matos em representação do Sr. Presidente da Câmara da Camara Municipal de Almada, no final, precedendo um “Moscatel de Honra”, ainda houve tempo para um momento musical protagonizado por quatro elementos da banda da Armada e confraternização entre os presentes.

domingo, 11 de setembro de 2016

VISITA DA RAINHA DONA AMÉLIA AO DISPENSÁRIO/CRECHE DE ALCANTARA






























Foto e texto de Mário Guinapo - Facebook
A convite de Salazar, Dona Amélia volta a Portugal em 1945, de 17 de Maio a 30 de Junho, trinta e cinco anos após a sua partida para o exílio.. A comitiva instala-se no Hotel Aviz, seguindo-se uma série de visitas pelo país. Permaneceu seis semanas em Portugal, onde teve oportunidade de recordar o seu passado. Visita sozinha o Palácio da Pena, em Sintra, desloca-se a Cascais, Alcobaça, Batalha, Foz do Arelho, Buçaco e vai em peregrinação a Fátima, oferecendo ao santuário um dos seus mantos reais. A rainha visita, igualmente, obras de assistência que fundara, tais como a Assistência Nacional aos Tuberculosos.Nesta foto a idosa Rainha vista a cantina do Dispensário /Creche de Alcantara,fundado por si havia muitos anos.
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"Dispensário Popular de Alcântara foi inaugurado em 1893 com o nome de Dispensário da Rainha por ter sido criado pela rainha D. Amélia. É um edifício de solidariedade social inativado, fundado pela Rainha D. Amélia nos finais do século XIX. Encontra-se na freguesia dos Prazeres em Lisboa.
Está em processo de classificação como edifício de interesse municipal e está incluído na Zona Especial de Proteção do Palácio das Necessidades.
Em 1914 foi anexado aos Hospitais Civis, mas continuou a desempenhar as mesmas funções dirigidas às crianças: consultas externas, aulas de puericultura, fornecimento de leite em pó a recém-nascidos, consultas de enfermagem, tratamento de doenças crónicas como a tuberculose e a sífilis. Até 1910 dava a seguir às consultas uma refeição ligeira às crianças (leite aos mais pequenos e sopa e pão aos mais crescidos). De 1910 até 1930 o referitório esteve fechado, passando a dar após 1930 um copo de leite depois da consulta.
Em 1918 o diretor passou a ser o Dr. Fernando de Lancastre."[1] - WIKIPEDIA 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

NEVADA DE BRAGANÇA, DUQUESA DO PORTO

Nevada de Bragança – uma Alteza à “margem” Real
Também na História Portuguesa os casamentos morganáticos, aqueles em que alguém detentor de um título real, imperial ou outro de grande nobreza, contrai casamento com indivíduo de categoria social inferior, marcaram a linhagem da Casa de Bragança.
Os casamentos morganáticos, frequentes a partir de meados do século XIX e a que não são alheios motivos económicos ou de alguma frivolidade tiveram o seu grande expoente com o casamento de Eduardo VII de Inglaterra com a americana Gladys Simpson (1937), de Carol II da Roménia com Elena Lupescu e, em Portugal de Fernando II de Portugal, príncipe de Saxe-Coburgo-Gotha e viúvo de D. Maria II, com a helvética Elise Hensler (1869), criada Duquesa de Edla. Nas monarquias atuais o casamento morganático não assume a relevância da época pois permite a extensão de títulos aos consortes e à descendência. Vejam-se os exemplos das Casas Reais de Espanha, Dinamarca, Inglaterra, Holanda, Noruega e Suécia, entre tantos outros.


Um caso certamente menos conhecido da História Portuguesa prende-se com a figura de NEVADA DE BRAGANÇA, mulher do Infante D. Afonso de Bragança, 3ºDuque do Porto e irmão de Dom Carlos, Rei de Portugal.


Nevada Stoody Hayes, de solteira, nasceu em Sandyville, Ohio em 21 de outubro de 1885 e veio a falecer em Lake Land, Polk County na Florida em 11 de Janeiro de 1941 sendo sepultada no Maple Grove Cemetry em Ovid, Condado de Clinton no Michigan.
Filha de Jacob Walter Stoody (1846-1922) e de sua mulher Nancy Miranda McNeel (1848-1922), foi uma entre tantas mulheres da sociedade americana do primeiro quartel do século XX que buscaram casamentos entre milionários ou membros da realeza europeia ansiosos por melhores confortos financeiros. Esta situação é-nos hoje patenteada brilhantemente pela série Downton Abbey onde a protagonista (Elizabeth McGovern), americana de nascimento, é casada com um aristocrata britânico ascendendo assim à titularidade.

Nevada foi casada por quatro vezes. O primeiro marido foi Lee Agnew (1867-1924), representante em Nova York do velho Record-Herald e de quem deixou um filho, David Agnew. O segundo marido, com quem casou um dia depois do seu divórcio, casou com o septuagenário William Henry Chapman (1834-1907) que à morte, um ano depois do casamento, lhe legou a quantia milionária de 8 milhões de dólares, facto que os jornais utilizaram para apelidar Nevada como "the $10 million widow”. Viúva, viajou pela Europa onde se contam vários potenciais pretendentes de famílias da velha aristocracia europeia. Viria a casar terceira vez em 1909 com Philip Van Valkenburgh (1853-1950), membro de uma velha família nova-iorquina e de quem se divorciou pouco tempo depois, logo após uma grande batalha judicial.

O seu quarto casamento, realizado em Roma em 26 de setembro de 1917 e em 23 de novembro em Madrid com o Duque do Porto elevou-a à titularidade nunca tendo sido reconhecida como tal pela Família Real Portuguesa no exílio.

Após a morte de D. Manuel II, sobrinho de seu marido, Nevada peticionou, sem sucesso, ao governo republicano de Portugal para que lhe fossem garantidos todos os fundos da família real uma vez que se considerava o membro mais velho da mesma.

Viajando de novo para os Estados Unidos em 1921, mandou fazer uma urna de bronze assente numa base de bronze pesando cerca de meia tonelada para trasladar o corpo de D. Afonso, de Nápoles para Lisboa. Em 1935 viajou no Ile de France para Nova York depois de passer dois meses na Alemanha tendo inclusivamente referido que tinha ficado “grandemente impressionada com Adolf Hitler”.
Não deixou geração dos três últimos casamentos.
Herdeira universal do marido esteve uma única vez em Portugal, por ocasião da trasladação do corpo do marido para o Panteão Real em São Vicente de Fora. Da sua herança conta-se a tela Batalha do Cabo de São Vicente, da autoria de Antoine Léon Morel-Fatioadquirida pelo Estado Português e que hoje figura no Museu da Marinha em Lisboa.
AQUI - para ampliar
O Duque do Porto, Infante D. Afonso de Bragança (Afonso Henrique Maria Luís Pedro de Alcântara Carlos Humberto Amadeu Fernando António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando Inácio de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança), nasceu em Lisboa em 31 de julho de 1865 e veio a felecer em Nápoles em 21 de Fevereiro de 1920. Foi o 3ºDuque do Porto, 24ºCondestável de Portugal, 109º Governador e 51º e último Vice-Rei da Índia. Segundo filho do rei Dom Luís e da Rainha Maria Pia de Saboia, Princesa da Sardenha, foi jurado herdeiro presuntivo da Coroa Portuguesa durante o curto reinado de seu sobrinho Dom Manuel II, após a Implantação da
República em 1910.

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

BANCO DE PORTUGAL CELEBRA DONA CATARINA COM MOEDA DE COLECÇÃO

Infanta portuguesa que se tornou Rainha de Inglaterra será imortalizada numa moeda de cinco euros a distribuir em Portugal através da rede de tesourarias do BdP e das instituições de crédito.
Para comemorar a vida da monarca, o Banco de Portugal anunciou hoje através do seu site oficial que "colocará em circulação, no dia de 13 de setembro de 2016, uma moeda de coleção, em liga de cuproníquel, com o valor facial de 5 euros, designada 'Dona Catarina de Bragança', integrada na série 'Rainhas da Europa'". 
Na face, a moeda tem o valor facial, o escudo português e a representação de uma chávea de chá, símbolo da "introdução desta bebida na corte inglesa através da Rainha Dona Catarina de Bragança". 
No reverso, a moeda tem o busto da rainha, juntamente com o nome e a data de nascimento e morte. 
Como habitual, a distribuição será feita nas tesourarias do Banco de Portugal e através das instituições nacionais de crédito.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

4 DE SETEMBRO DE 1913 - CASAMENTO DE DOM MANUEL II


A  4 de Setembro de 1913, após um curto noivado de 4 meses, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei D. Manuel II de Portugal casava-se com a Princesa Augusta Victória von Hohenzollern-Sigmaringen, na capela do Castelo de Sigmaringen. A Princesa germânica era filha do Príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen (ramo católico dos Hohenzollern) e da Princesa Maria Teresa de Bourbon-Duas Sicílias. El-Rei havia ficado muito impressionado com a Princesa alemã havia um ano, num encontro orquestrado pela Infanta Dona Maria Antónia de Portugal, tia-avó do Rei e avó da Princesa. Assim, após uma pequena conversa a dois, em Abril de 1913, El-Rei pede a mão à Princesa, que aceita prontamente. Segue-se uma pequena comemoração entre noivos e Augustos Pais e, consequência do exílio, um rápido e singelo comunicado oficial: ‘É com a maior alegria que anúncio o ajuste do meu casamento com a Princesa D. Augusta Victória de Hohenzollern-Sigmaringen. Manuel Rei’.

Assim, com este matrimónio era cimentado meio século de aliança entre a Sereníssima Casa de Bragança e a Casa de Hohenzollern, que teve início com o casamento da Infanta Dona Maria Antónia de Bragança (irmã dos Reis D. Pedro V e D. Luís I) com o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen.

À cerimónia religiosa assistiram cerca de 200 convidados, entre os quais a convalescente Rainha Dona Amélia, David, Príncipe de Gales e futuro Eduard VIII (Duque de Windsor após abdicação), a Duquesa de Aosta, os Príncipes Franz Joseph e Frederik Victor, irmãos da noiva, o Marquês de Soveral e várias senhoras da aristocracia e damas portuguesas e oficiais ingleses que faziam a guarda a El-Rei – por especial deferência do primo e Rei britânico, George V.

El-Rei Dom Manuel II fez questão de casar permanecendo de pé sobre um caixote carregado de terra portuguesa, e trajou casaca, complementada com o calção da Ordem da Jarreteira de que era simultaneamente o mais jovem cavaleiro de sempre e o último português a ser agraciado com a mais distinta das Ordens Honoríficas britânica e mundiais. No calção distinguia-se a liga azul-escuro com rebordo e letras a dourado colocada no joelho esquerdo com a divisa da Ordem, Honni soit qui mal y pense’. Da mesma Ordem usava a Estrela, presa ao peito esquerdo, com uma representação colorida esmaltada do escudo heráldico da Cruz de São Jorge, rodeado da Ordem da Jarreteira, cercada por um emblema de prata de oito pontos. Ao pescoço, El-Rei usava a Ordem do Tosão de Ouro, e para além de mais Ordens usava a Banda com a Placa das Três Ordens Militares Portuguesas, colocada debaixo da casaca, para o lado da anca esquerda. Já Dona Augusta Victória usou um vestido de noiva matizado a azul e branco, prestigiando as cores da Bandeira do Reino de Portugal e da Monarquia Portuguesa. Na cabeça segurando o véu que fora usado pela sua avó a Infanta Dona Antónia de Bragança quando casara com o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, um diadema com motivos de flor-de-lis.


Dona Augusta Vitória tornava-se Rainha consorte, mas não Rainha de Portugal, pois o Rei já se encontrava exilado. O casamento feliz durou até à trágica morte de Sua Majestade o Rei, em 1932.

sábado, 3 de setembro de 2016

180 ANOS DE REMO

Autor: Carlos Manuel Gomes Henriques

A prática do Remo em Portugal, enquanto desporto organizado, terá começado em 1828 com a fundação do Arrow Club por Abel Power Dagge, os irmãos Pinto Basto e alguns elementos da colónia britânica residente na metrópole, segundo documentos inéditos que nos foram recentemente facultados pela família Dagge.

Do referido acervo documental constavam as actas de fundação de várias associações náuticas, a sua correspondência e deliberações das Assembleias Gerais, assim como memórias de Abel Power Dagge, membro fundador da Real Associação Naval e do Clube Naval de Lisboa, quiçá o primeiro desportista náutico a existir em Portugal.

Segundo José Pontes, no seu livro “Quasi um século de desporto”, a primeira regata de desportistas amadores oficialmente realizada em Portugal foi de Remo, corria o ano de 1849, e foi promovida por Abel Power Dagge.

São célebres, pelo menos a partir de 1852, por ocasião dos festejos anuais de Paço de Arcos, as Regatas em barcos à vela e a remos, promovidas pelo Conde das Alcáçovas, por um grupo de aristocratas, alguns deles ligados à Casa Real, e por elementos da colónia inglesa. A regata de 1853, foi presidida pelo Infante Dom Luiz que se fez conduzir a bordo do vapor da Marinha de Guerra Portuguesa Conde de Tojal. Aproveitando a estadia do barco de guerra inglês Odin, fundeado na Baia de Paço Arcos, realizou-se uma corrida de remos entre marinheiros portugueses e ingleses. Do programa de 1854, constava a participação de duas guigas de 4 remos, tripuladas por “curiosos”.
Na sequência destes eventos, foi fundada em 1855 a Real Associação Naval, a mais antiga agremiação desportiva da Península Ibérica e uma das mais antigas do mundo.

O interesse despertado pelo «divertimento das regatas», associado ao “gosto e predilecção” da Família Real pelos passeios a remos no Tejo, deram lugar em 1861, à formação de dois grupos de remadores. O primeiro grupo era composto na sua maioria por ingleses mesclado dealguns portugueses e, o segundo, era constituído exclusivamente por indivíduos da colónia alemã. Estes dois grupos de amadores remavam também em guigas de 8 remos, construídas propositadamente para esse fim pelos construtores Luís Silvério de Faria e I. C. Dangebau, que se denominavam respectivamente Lusitânia e Germânia. A guiga Lusitânia, construída em 1862, tinha 12,80 m de comprimento e 1,83 m de largura, tendo custado 201,600 reis. Segundo os nossos registos, esta guiga deverá ter sido a primeira embarcação desportiva de remo construída em Portugal e por um mestre português. Destes acalorados desafios resulta então a fundação, em Lisboa, do Tagus Rowing Club e do Club dos Remeiros Lusitano, dois dos primeiros clubes de remo instituídos em Portugal.

Numa época em que o remo desportivo era a modalidade de eleição praticada pela elite inglesa residente na região norte é fundado, em 20 de Junho de 1866 o Oporto Boat Club, em 1868 o Clube Naval Portuense e em 1876, o Club Fluvial Portuense, fundado num antigo café da Ribeira, o Café de Santo Amaro, resultante do entusiasmo de um grupo de portuenses pelos desportos náuticos. Este último, ainda em actividade trata-se da colectividade desportiva mais antiga do Norte de Portugal. O Oporto Boat Club era apenas constituído por ingleses, possuindo tripulações de muita qualidade e na altura consideradas invencíveis. Segundo as nossas consultas a sua primeira derrota foi em 1907, sobre a qual tratamos mais à frente. Na segunda metade do Séc. XIX, a Figueira da Foz era o local de ferias durante os meses de Agosto a Outubro das elites portuguesas, aparecendo a veranear também alguns espanhóis. Neste contexto formam-se na Figueira a Associação Naval Figueirense, com estatutos de 1866 e o Clube Moderno cujos estatutos datam de 1881. A 14 de Outubro de 1880 funda-se em Setúbal a Associação Fluvial Setubalense, mostrando-nos que o gosto pelos desportos náuticos em Setúbal também é muito antigo. Em 1884, ainda por iniciativa de Abel Power Dagge, foi criado o primeiro Campeonato que se realizou em Portugal. As regatas foram efectuadas no Tejo durante três anos seguidos, em skiff, como competidores estiveram os ingleses Hickei e Mitchel e o futuro Barão de Almeirim, Manuel Braamcamp, que venceu os ingleses e conquistou o Titulo de Campeão do Tejo, ganhando uma medalha de ouro que usava com orgulho na corrente do seu relógio. É durante este ano, 1884, que as regatas passam a ser sempre em linha recta na distância de uma milha aproximadamente. Anteriormente eram normalmente efectuadas entre duas bóias com ida e volta. Em 27 de Janeiro de 1892, são aprovados os estatutos do Club Naval de Lisboa, já em actividade desde Novembro de 1891. Com o aparecimento do Clube Naval de Lisboa os desportos náuticos e o Remo em particular, ganham um notável incremento porque o recém-criado Clube imprime um grande dinamismo na prática desportiva. No dia 1 de Maio de 1893 é fundada na Figueira da Foz, a Associação Naval 1º de Maio, a primeira colectividade de cariz eminentemente popular instituída em Portugal, nascendo segundo Maria Alice Guimarães, como continuidade da Associação Naval Figueirense. Nesse mesmo ano, a Real Associação Naval e o Real Gimnásium Club Português criam as suas secções de Remo. Na cidade de Aveiro, em 1894, o Ginásio Clube Aveirense organiza uma secção de Remo, que mais tarde viria a chamar-se Clube Mário Duarte. Logo a seguir a 1 de Janeiro de 1895 é fundado o Ginásio Clube Figueirense, como Clube Gimnastico Velocipedico Figueirense, porventura a continuação do Clube Ginástico, fundado anteriormente nesta cidade em 1889.Em 1896, D. Carlos e D. Amélia passearam-se num escaler de 8 remos durante a Regata de Cascais organizada pela Real Associação Naval na qual competiram nove provas de Remo e seis de Vela.Aquela regata, destacou-se pela grande adesão do público que acorreu à margem para assistir àquele que foi um dos maiores eventos desportivos realizados em Portugal. Nesse dia a vila recebeu seis mil visitantes. Para comemorar os aniversários do Rei D. Carlos e da Rainha Dª Amélia, o Real Club Naval de Lisboa decide realizar as Regatas de Cascais em 29 de Setembro de 1901, a que se seguiram nos anos seguintes, na mesma data, regatas idênticas que se celebrizaram pelo seu esplendor. Podemos ler no Livro de actas da Comissão de Regatas do Real Club Naval de Lisboa que nesta regata existiram provas disputadas por senhoras da sociedade constituindo, provavelmente, uma das primeiras manifestações de desporto feminino em Portugal. Aproveitando o apoio e beneplácito do seu Comodoro, Sua Majestade El Rei D. Carlos, o Clube Naval de Lisboa cresceu e difundiu os Desportos Náuticos pelo País abrindo secções e Postos Náuticos em Azambuja, Cascais, Trafaria, Luanda, Lourenço Marques, Portimão, Lagos, Pedrouços e Funchal. Estas delegações evoluíram mais tarde para os actuais clubes existentes nestas localidades. No alvorecer do século XX despertava grande interesse as regatas em guigas de quatro e de seis remos. No entanto, a falta de uniformidade nas características das embarcações, a que se juntava uma deficiente regulamentação, suscitavam frequentes conflitos que, em alguns casos, conduziam à quebra de relações entre as principais agremiações náuticas. Em 1898, no Centenário da Índia devido a um empate numa regata de Remo os atletas da Real Associação Naval e do Real Clube Naval envolveram-se numa zaragata que destruiu a Cervejaria Jansen, no Cais do Sodré, com prejuízos no valor de 400.000 réis (O Infante D. Afonso quis inteirar-se pessoalmente do ocorrido) e em 1906 houve mesmo um duelo à espada, em Cascais, entre Alberto Totta do CNL e Carlos Sá Pereira da ANL, devido a uma regata da Taça Lisboa.

A necessidade de regulamentação das regatas de Remo mereceu alguma reflexão no “Congresso Marítimo Nacional”, promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1902, sem que contudo daí resultasse alguma alteração tendo, no entanto, sido aprovada a tese “Impulsionamento do rowing nacional. Sua utilização possível na educação física do povo português”, da autoria de Joaquim Leotte dirigente do Clube Naval de Lisboa e o grande responsável pela instituição da Taça Lisboa a prova mais importante do Remo Português.

É neste contexto que em 1904, a pedido de Joaquim Leotte, a Associação Naval de Lisboa, o Clube Naval de Lisboa, o Clube de Aspirantes de Marinha e o extinto Clube Naval Madeirense instituíram a Taça Lisboa em Remo como Campeonato de Portugal, Taça ainda hoje em competição, constituindo a prova desportiva mais antiga do nosso país. Assim nasceu a Taça Lisboa e a Convenção que se lhe seguiu assinada pelos mesmos clubes, a 20 de Abril de 1904. A primeira regata da taça foi realizada a 29 de Maio, ao longo da muralha da Junqueira, entre as docas de Santo Amaro e do Bom Sucesso. A Convenção, o primeiro regulamento de regatas de Remo, estabelece as bases para a regulamentação “das corridas de embarcações de Remo e tinha como fim último promover “o desenvolvimento do rowing portuguez”, a ela se devendo orápido desenvolvimento que o Remo atingiu nos anos que se lhe seguiram.

Nos Jogos Olímpicos de 1908, Henry Bucknall, o voga da tripulação de Shell 8 de Inglaterra, que venceu a medalha de ouro, foi remador do Clube Naval de Lisboa. Filho do seu Comodoro Bucknall, tendo associado a si e a seu pai uma história de desforra entre o CNL e uns ingleses do Porto, como já tínhamos descrito anteriormente. Em 1907 depois de várias derrotas e humilhações dos remadores portugueses contra as tripulações invencíveis dos ingleses do Porto, o Comodoro Bucknall, agarrou no seu filho e meia dúzia de atletas do CNL e levou-os para estágio para uma propriedade que possuía em Sarilhos. Dos treinos bastante puxados apenas resistiram o seu filho e mais três jovens que desafiaram e venceram os ingleses numa regata em Cascais, era a primeira vez que alguém lhes ganhava. Deverá ter sido, também, o primeiro estágio de “competição” efectuado no nosso Pais.  

Logo a seguir uma tripulação da Real Associação Naval consegue um feito idêntico e acaba-se o mito dos ingleses do Porto. Em 1908 o Dr. António Rainha oferece ao Ginásio Figueirense a Taça Mondego para ser disputada em inriggers de 4 remos na distância de uma milha, por todas as tripulações nacionais existentes, sempre no rio Mondego. Em 1911 Francisco Bento Pinto oferece à Associação Naval 1º de Maio a Taça Alzira, disputada no mesmo tipo de embarcação mas como Campeonato Regional. Segundo o grande dirigente figueirense Severo Biscaia: “A disputa da Taça Alzira constituía um grande alvoroço e assunto de todas as conversas, atiravam-se pedras de cima da ponte à passagem das embarcações, e ouviam-se muitos insultos mútuos pois os do Ginásio eram finitos que só comiam bifes e bebiam água das pedras e os da Naval uma data de carroceiros que se alimentavam a vinho tinto e sardinha.” A proclamação da República teve repercussões nos Desportos Náuticos, sobretudo na Vela com o desaparecimento dos Yachts Reais. Consequentemente, os clubes apadrinhados pela Família Real sofreram um duro revés, foi necessário mudar de nome e de pavilhão.

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Fonte: Remo Historia