sexta-feira, 19 de agosto de 2016

PLURALIDADE E DEBATE

Se é certo que desde a implantação violenta da república o movimento monárquico português enfrenta terríveis dificuldades de afirmação, tal deve-se não só à repressão mais ou menos agressiva que sofreu, mas sobretudo à dificuldade que os seus apoiantes vieram demonstrando em estabelecer prioridades que, para lá do indispensável debate de ideias, privilegiassem uma mensagem clara e de unidade: o apoio incondicional a uma instituição representativa da nossa identidade transgeracional como Nação de 900 anos de história, isto é, na Coroa Portuguesa, cujos direitos dinásticos estão na pessoa do Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. 
Acontece que, sem que se veja sobressair um pensamento novo ou personalidade intelectual que marque a nossa geração, o debate entre as diferentes sensibilidades monárquicas nos dias que passam termina quase sempre em zangas tão insanáveis quanto pueris, o que compromete a já precária relevância pública da nossa Causa – nem que seja por desperdício de energias. 
Passados mais de cem anos sobre o 5 de Outubro de 1910, deveria constituir grande preocupação que a nossa geração não tenha ainda dado à luz uma obra digna desse nome para uma renovação do pensamento monárquico que fez história no século XX: então, tivemos personalidades ilustres e distintas como Jacinto Ferreira, João Camossa, João Taborda, Francisco Sousa Tavares ou Barrilaro Ruas, Mário Saraiva, António Sardinha, Hipólito Raposo, Pequito Rebelo, Almeida Braga, Alfredo Pimenta, e Alberto Monsaraz. Hoje, os poucos que pensam o assunto, as mais das vezes fazem-no levianamente nas redes sociais, consumindo-se numa disputa fratricida com os que afinal não deixam de ser seus correligionários. Se o debate de ideias é vital para a credibilidade e consistência da doutrina monárquica, mais decisiva será uma sã coexistência dos diferentes modos de pensar e de ler a realidade. Dessa forma enriquece-se a produção doutrinária e desloca-se o foco do conflito para aquilo que numa escala de valores correcta deveria ser o alvo prioritário da nossa acção: o combate ao ideário republicano (se é que ele existe) e aos (apesar de tudo poucos) facciosos que ainda o defendem. É nesse sentido que o Correio Real desde o seu primeiro número patrocina e desafia a contribuição de quantos se dignem a participar com diferentes opiniões e sustentadas perspectivas sobre História e Monarquia. 
Ainda que sob o signo do improviso e da falta de recursos, os inconformados bravos da Galiza que seguiram Paiva Couceiro para a rebelião armada, tradicionalistas ou liberais puseram de lado as suas bandeiras e sacrificaram-se pela mesma e comum causa maior: Portugal. Nisso devíamos seguir-lhes o exemplo, em homenagem aos nossos antepassados, em comunhão com o nosso Príncipe, para felicidade dos nossos sucessores.


João de Lancastre e Távora

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ÚLTIMAS VAGAS PARA A ACADEMIA DE VERÃO DA JUVENTUDE MONÁRQUICA

O ex-ministro vai falar à JMP sobre o Rei dos Portugueses e a sua inclusão no Protocolo de Estado
O primeiro Presidente da Causa Real, tem muito para contar sobre a Causa onde a JMP se insere. A não perder, no primeiro dia da Academia de Verão.
 Joel, que tanto deu pelos jovens monárquicos, vai contar tudo o que é preciso saber sobre a o percurso da JMP até aos dias de hoje.
Luís Lavradio, antigo Presidente da Causa Real, vai falar à JMP sobre a modernidade das monarquias no século XXI.
João Távora vai ministrar-nos um workshop memorável!


Ainda há vagas para a Academia de Verão da Juventude Monárquica Portuguesa. A preparar as novas gerações para a construção de um Portugal melhor.

NOTA IMPORTANTE
Inscrição obrigatória para participar na Academia de Verão da JMP.
Lugares limitados!

O período de candidaturas encerra no dia 21 de Agosto.
Passos a seguir:
1. Preenchimento do formulário https://docs.google.com/…/1FAIpQLSeirJITgHV6hOuaB…/viewform…

2. Pagamento da taxa única de €12,50 para o IBAN PT50 0010 0000 52575120001 86 (Banco BPI) dentro do prazo de candidatura.
A taxa única dá acesso a todas as formações (debates, workshop, etc.), bem como a alojamento durante dois dias e alimentação. Sunset do dia 17 também incluído!

Para mais informações: geral@juventudemonarquicaportuguesa.pt

INSCREVA-SE AQUI


No sábado, dia 17 de Setembro, a Academia de Verão abre as portas ao público para um magnífico Sunset a partir das 19:00 na Quinta da Subserra em Alhandra (Vila Franca de Xira). Segue-se um churrasco patrocinado pela JMP, com muita música e animação!   

Entrada: a partir das 19:00 e até à 1:00 do dia 18,
  • gratuita para todos os apoiantes PPL e membros da direcção nacional da Causa Real (confirmações até dia 9 de Setembro),
  • €5,00 para o público em geral (inclui comida e bebida à descrição).

  Acesso: comboios da linha da Azambuja e autocarros«Boa Viagem»
-------------

Mensagem do Presidente da JMPpara os participantes candidatos à Academia de Verão
“Só com a consciência, bem viva, do que somos, será possível levar a nossa mensagem a cada um dos jovens portugueses. Somos patriotas e por isso queremos o Rei, chefe natural, na cúpula do Estado, como elemento de moralização do sistema político e de equilíbrio entre as instituições. Não somos monárquicos por qualquer outro motivo. Só Portugal nos motiva.
Teremos bem esta consciência? Sabemos o que é ser monárquico? Percebemos o que é Portugal no mundo de hoje? Faz sentido ser patriota? Como monárquicos, sabemos adaptar a mensagem à juventude portuguesa? Como chegar a ela? Estas e outras questões serão debatidas na nossa Academia de Verão. Espero ver-te lá para aprendermos juntos e, como sempre, festejarmos Portugal.
Vem! Participa, por Portugal!”
Todas as informações aqui.
Inscrições aqui.




Fonte: Real Associação da Beira Litoral

terça-feira, 16 de agosto de 2016

REINAR NÃO É UM GANHA-PÃO!




O Rei tem um papel histórico: o de personificar o carácter nacional; porque o Monarca é o primeiro depositário da tradição dos antepassados dos homens e dos costumes da Nação.Além disso, a função Real é, de facto, um Serviço que é desempenhado com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura exercer o melhor possível o seu Ofício dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante e da defesa do bem comum.


A função Real é, de facto, um Ofício que deve desempenhar com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura desempenhar o melhor possível o seu serviço dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante.
Só o Rei terá uma superior consciência dos problemas nacionais, pois a educação de um Príncipe é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro mester de Rei, de forma a reinar da forma mais útil e favorável para o País. Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação que nunca podem ser alvo de desdém e indiferença.
A mais-valia do Monarca consiste num misto de preparação, probidade e neutralidade, que evita que o Rei caia no aperto da impreparação – maduro a tomar decisões nunca saltará etapas que possam perigar o estado da Nação -, nunca tropeçará no embaraço da falta de ética, na enrascada do comprometimento, pois mantém uma posição de neutralidade em relação a questões políticas, imune a lobbies, sem compromissos unilaterais que fereriam a dignidade do poder moderador que se Lhe exige, enquanto Chefe de Estado.
A política, pela sua própria essência, campo de pelejas intermináveis, sobrecarregada de invejas, tem esse destino singular de ser ferida e acicatada, por questões, interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros ou mesmo desta ou daquela classe social. Por isso não poucas vezes o bem comum não está suficientemente acautelado.
Assim a função de reinar elimina os comprometimentos e as frívolas promessas de campanha e torna a chefia do Estado merecedora de confiança, porque independente de calendários e questiúnculas eleitorais.
Ora, com a figura do Rei que exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.
No nosso ainda novo século, como em nenhum outro antes, testemunha-se nas repúblicas o maior desprezo pela política e pelas instituições, supostamente, democráticas, muito pelo que acontece nos gabinetes do actual sistema, em que políticos manhosos, empanturrados de afectação exercitam a poder com dominação achando-se depositários da jurisdição totalitária de abater a vontade do Povo.
Muitas vezes num ambiente de óbvias tensões, de uma enorme cadeia de causas e feitos, de inúmeros interesses individuais, é esse fim último de Bem Comum que só uma figura totalmente livre e independente pode ter o discernimento para perceber. Essa liberdade, absolutamente necessária, só um Rei possui: “Nosso Rei é livre!”, O Rei, também, protege e ama o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros ama como um Pai e as suas coisas guarda como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!
Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

REINAR NÃO É UM GANHA-PÃO!




O Rei tem um papel histórico: o de personificar o carácter nacional; porque o Monarca é o primeiro depositário da tradição dos antepassados dos homens e dos costumes da Nação.Além disso, a função Real é, de facto, um Serviço que é desempenhado com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura exercer o melhor possível o seu Ofício dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante e da defesa do bem comum.


A função Real é, de facto, um Ofício que deve desempenhar com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura desempenhar o melhor possível o seu serviço dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante.
Só o Rei terá uma superior consciência dos problemas nacionais, pois a educação de um Príncipe é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro mester de Rei, de forma a reinar da forma mais útil e favorável para o País. Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação que nunca podem ser alvo de desdém e indiferença.
A mais-valia do Monarca consiste num misto de preparação, probidade e neutralidade, que evita que o Rei caia no aperto da impreparação – maduro a tomar decisões nunca saltará etapas que possam perigar o estado da Nação -, nunca tropeçará no embaraço da falta de ética, na enrascada do comprometimento, pois mantém uma posição de neutralidade em relação a questões políticas, imune a lobbies, sem compromissos unilaterais que fereriam a dignidade do poder moderador que se Lhe exige, enquanto Chefe de Estado.
A política, pela sua própria essência, campo de pelejas intermináveis, sobrecarregada de invejas, tem esse destino singular de ser ferida e acicatada, por questões, interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros ou mesmo desta ou daquela classe social. Por isso não poucas vezes o bem comum não está suficientemente acautelado.
Assim a função de reinar elimina os comprometimentos e as frívolas promessas de campanha e torna a chefia do Estado merecedora de confiança, porque independente de calendários e questiúnculas eleitorais.
Ora, com a figura do Rei que exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.
No nosso ainda novo século, como em nenhum outro antes, testemunha-se nas repúblicas o maior desprezo pela política e pelas instituições, supostamente, democráticas, muito pelo que acontece nos gabinetes do actual sistema, em que políticos manhosos, empanturrados de afectação exercitam a poder com dominação achando-se depositários da jurisdição totalitária de abater a vontade do Povo.
Muitas vezes num ambiente de óbvias tensões, de uma enorme cadeia de causas e feitos, de inúmeros interesses individuais, é esse fim último de Bem Comum que só uma figura totalmente livre e independente pode ter o discernimento para perceber. Essa liberdade, absolutamente necessária, só um Rei possui: “Nosso Rei é livre!”, O Rei, também, protege e ama o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros ama como um Pai e as suas coisas guarda como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’
Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!
Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

sábado, 13 de agosto de 2016

VIVAM OS SOLDADOS DA PAZ!


Têm como lema "Vida por Vida" - um lema exemplar desse altruísmo cívico que sustenta a sua existência como Bombeiros Voluntários! Porém, voluntários ou profissionais, os Bombeiros que, durante todo o ano, conduzem ambulâncias, assistem acidentes, acorrem aos incêndios ou às inundações são, de facto, os Heróis do Verão... enquanto os dias e as noites correm ardentes e enormes, os Bombeiros lutam até à exaustão contra o fogo e não dão tempo ao medo de os alcançar... Os incêndios, ateados cruelmente por lógicas que se podem imaginar mas que nada justifica, grassam e devastam o território, sem compaixão pelas vidas destruídas e os bens arruinados... Os Bombeiros vivem e dão a vida por todos nós... precisam de mais apoio - um apoio que, inquestionavelmente, merecem... além de sempre, sempre!, a nossa maior admiração. Os Bombeiros chamam-se justamente porque o são: Soldados da Paz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

631ºANIVERFSÁRIO DA BATALHA DE ALJUBARROTA


Comemoração do Aniversário da Batalha Real

Durante o dia a população vai poder assistir a vários momentos que passam por Missa, Cerimónia Militar, Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota e Apresentação dos trabalhos ao Prémio António Sommer Champalimaud

Manhã

10h00 Missa Campal, no altar da Batalha Real

11h00 Cerimónias Militares, com presença de 120 militares em parada

Prémio António Sommer Champalimaud

Tarde

Durante a Tarde Visitas ao Campo da Batalha e participação de Actividades Lúdicas, desenvolvido pelo Serviço Educativo do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota

18h30 Recriação do Combate Medieval às vésperas da Batalha de Aljubarrota, desenvolvido pelo Vivarte, com participação de jovens de instituições de solidariedade social e de todos os que se queiram juntar (inscrições junto do CIBA – Serviço Educativo- contactar via facebook)


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

L'ECRIN DE LA DUCHESSE DE BRAGANCE

Depuis son mariage en 1995 à Lisbonne avec dom Duarte, duc de Bragance, Chef de la maison royale de Portugal, Isabel de Castro Curvello de Heredia, a assisté à plusieurs grands événements du Gotha, l’occasion de montrer en public les plus belles pièces de son écrin principalement composé de diamants. (Copyright photos : getty images, pa & DR)





domingo, 7 de agosto de 2016

VISITA REAL DOS REIS DOM CARLOS E DONA AMÉLIA AO ALGARVE - 1897

Visita Real dos Reis D.Carlos e D.Amélia ao Algarve (1897) - Monchique - Parte 1

«Estão no Algarve os Reis de Portugal. Bem vindos sejam!». Foi assim que a imprensa farense, através de O Algarve, saudou a chegada ao Algarve do Rei D. Carlos e a rainha D. Amélia de Orleães, no dia 9 de Outubro de 1897.
A visita real ao Algarve, que então já de denominava de província e não de reino, realizou-se entre 9 e 15 de Outubro de 1897, com início na gare de Albufeira, onde os soberanos chegaram de comboio pelas 8 da manhã.
De Albufeira partiriam para Faro, passando antes por Loulé, onde também tiveram recepção oficial. Depois de visitarem todo o Sotavento, Sagres e Lagos, chegariam na noite do dia 12 a Portimão, onde depois de grandiosa recepção pernoitaram no iate D. Amélia, aqui atracado.
Praticamente toda a grande imprensa lisboeta, algarvia e nacional se faria representar na viagem, nomeadamente os jornais Diário de Notícias, O Século, Branco e Negro, e Ilustração Portuguesa, onde encontrámos abundantes alusões ao percurso, nomeadamente ao acolhimento que os monchiquenses terão propiciado ao casal régio.
A «formosa e pitoresca vila de Monchique», que a imprensa acompanhante considerou como «uma das mais graciosas e originais vilas da província» seria contemplada pela visita real no dia 13 de Outubro.
Sobre a lenta ascensão até Monchique existem várias descrições nos principais jornais do reino: «Maravilhoso todo este caminho que, partindo de Portimão, subindo sempre, leva a Monchique».
Na Torrinha, limite do termo encontravam-se as várias individualidades concelhias, nomeadamente o administrador do concelho e representante do Governo José Sebastião “da Venda”, o presidente da Câmara Municipal e antigo deputado José Joaquim Águas, o juiz de Direito substituto e conservador do Registo Civil, Dr. Francisco do Rego Feio, o grande proprietário local e deputado pelo circulo de Silves (a que o concelho pertencia), coronel José Gregório de Figueiredo Mascarenhas, vereação, restantes autoridades, figuras de destaque local, povo e pelo menos uma das várias bandas musicais que então havia no concelho. Das restantes filarmónicas, uma estava nas Caldas e as outras espalhadas ao longo do trajecto. Depois das saudações os soberanos seguiram viagem rumo às Caldas de Monchique.
Dando a vez ao repórter, este descreve os «pinhais, sobreiros, medronheiros, grandes moitas de alecrim e de rosmaninho balsâmicos. O cenário agiganta-se, alargam-se os horizontes, cavam-se vales fundos e apertados (…), de espaço a espaço, nas voltas da estrada toda em zig zags caprichosos, entrevê-se pelas abertas dos cimos sobrepostos, a Picota, penedo abrupto de difícil acesso, e que fica ao nascente da Foya, a soberba rainha serrana sempre namorada por grandes massas de nuvens».
Nas Caldas de Monchique os soberanos receberam flores das três filhas do Dr. João Bentes Castel-Branco, médico e concessionário da estância termal, que lhes preparara uma marcante recepção, com visita ao Sanatório Kneipp e uma exposição de artesanato, vestuário e medicamentos naturais.
Não se demorando muito na estância termal, a comitiva continuou na direcção da vila. A nossa fonte é mais uma vez a revista Branco e Negro: «do Banho para cima as rampas são ásperas e avança-se lentamente durante uma hora até à vila de Monchique».
É provável que a visita real, com o seu séquito de ministros e funcionários do Passo tenha chamado a atenção para o escabroso caminho que então levava à vila, uma distância de quatro quilómetros que então se fazia dificilmente em cerca de uma hora. Todavia, a preocupação era maior em relação à estância termal, geralmente frequentada por gente importante, pois, em 1877, chegou às Caldas de Monchique a construção da estrada Portimão/Monchique, pelo processo de macadame. Acompanhando a novidade da estrada teve inicio neste mesmo ano a carreira de diligência para as Caldas, com a periodicidade de três dias por semana.
A chegada à vila deu-se, segundo a imprensa, às 11h45. Lorjó Tavares descreve a vila engrandecida por uma «deliciosa ornamentação toda campesina (…) com as ruas transformadas em tapetes de junco, postes enfeitados a murta, arcos singelos, medronheiros com as suas bagas vermelhas como morangos, festões torcidos a alecrim de que pendiam cachos de flores silvestres, maçãs e romãs, paredes de alto a baixo estufadas de murta e urzes». O texto do Branco e Negro aparece ilustrado com 10 belas e monumentais fotografias da vila, Caldas e Fóia.
À entrada da vila acumulava-se o povo simples, muito dele vindo expressamente do campo para ver o Rei. Segundo ressalta da maioria da imprensa, a recepção não terá sido aqui tão calorosa como nas outras terras da província.

Visita Real dos Reis D.Carlos e D.Amélia ao Algarve (1897) - Monchique - Parte 2

Rei D. Carlos e Rainha D. Amélia na subida à Fóia

Na vila seria distribuído um folheto idêntico aos das outras terras, com os retratos do Rei e da Rainha, onde constava a legenda «Visita a Monchique em 13 de Outubro de 1897». 
Quase de imediato os Reis dirigiram-se por entre os arcos vestidos de verdura e papel, nomeadamente, os da Rua do Serro, Rua de S. José e Rua Direita, para o palacete do comendador José Joaquim Águas, onde seria servido o almoço.
Da comitiva faziam parte membros do governo, deputados, funcionários reais, o governador civil de Faro José Vaz Correia de Seabra Lacerda, jornalistas, e industriais e proprietários, sempre acompanhados de bastantes curiosos. 
O programa integralmente publicado em O Algarve e noutros jornais incluía a ementa em francês do «almoço em casa do digno presidente da Câmara e antigo deputado, Sr. José Joaquim Águas», que foi de quarenta talheres e cujas iguarias foram expedidas de Lisboa pelo famoso restaurante "Casa Rosa Araújo".
A segunda etapa da visita seria contemplada com um passeio à Fóia, que se realizou a cavalo pela tradicional subida das burricadas do Barranco dos Pisões, com os Reis à frente, indo Dom Carlos fardado e a Rainha vestida de amazona, sempre ladeados por uma espécie de guarda de honra, composta por «uns trezentos serrenhos, afeitos a estas caminhadas». Na cavalgada iam os oficiais do Rei, os ginetes da guarda real e mais trinta cavaleiros, onde se incluíam algumas autoridades locais e regionais.

À noite, no jantar servido a bordo do iate D. Amélia, estiveram presentes José Joaquim Águas e José Gregório de Figueiredo Mascarenhas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

NO PRINCÍPIO ERA O REI




A exemplo do que aconteceu em outros países europeus a Família Real portuguesa desempenhou um papel importantíssimo na introdução do transporte motorizado no nosso país. O Rei Dom Carlos comprou vários automóveis e consta que ele próprio fazia questão de os conduzir - uma raridade para a época - tal como acontecia com o Príncipe Real, Dom Luis Filipe. Como se tal não bastasse foi o próprio Rei que desenhou pelo seu punho o emblema do Real Automóvel Clube de Portugal.
Em cima, imagens do Rei Dom Carlos ao volante dos seus automóveis e a rainha Dona Amélia a entrar para um deles.
Em baixo, o Príncipe Dom Luis Filipe conduz o seu automóvel tendo a seu lado o Visconde de Asseca, seu oficial às ordens. Emblema do RACP desenhado por Dom Carlos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MAIS VALE SER SÚBDITO NUMA MONARQUIA DO QUE LAICO NUMA REPÚBLICA


Mais Vale Ser Súbdito Numa Monarquia do Que Lacaio Numa República!
Hoje nas Monarquias já não existem propriamente súbditos, mas cidadãos de plenos direitos, iguais perante a Lei e que são muito estimados pelo Seu Rei/ Rainha e que vê essa estima retribuída pelo Povo, que entende ter no Rei o bem mais precioso da Nação. O Rei assume-se como um funcionário da Nação e do Povo acautelando por cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo, que encara como serviço. O Rei tem de reinar rectamente: Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris. Não há político, algum, que possa entranhar essa incumbência como um Rei.
Mas mesmo que ainda fosse súbdito, mais valia ser súbdito numa Monarquia do que o lacaio que os políticos pretendem que os cidadãos de uma república sejam.
Neste Estado das Coisas republicano, ao esquadro e compasso maçónicos, herdeiros da I.ª república, veio juntar-se a aritmética economista liberal transformando a sociedade numa soma bruta de indivíduos e o governo da liberdade ficou sendo a tirania das minorias. Hoje é mínimo o número de votantes quando comparado com os eleitores escritos o que revela esse distanciamento da maioria face à minoria que a domina, não por génio ou superioridade intelectual, mas apenas porque se apropriou dos meios de poder, coacção e opressão. A história sempre confirmou isso: os mais pobres e os sem poder não têm como se afirmar!
Mas se na Idade Média os mais pobres não reclamavam do destino para o qual haviam nascido, e, que parecia ser inevitável, e comiam raízes e bolotas, vivendo dos bodos comunitários e da caridade da Igreja, hoje a maioria não pode ser tomada por ignara. A Nação é uma comunidade estável constituída, historicamente, com base num território, numa língua, e com aspirações materiais e espirituais comuns. A Nação é pois o agregado de indivíduos constituído por vontade própria e não reunido de uma forma acidental. Por isso o Povo não pode ser apenas a margem de manobra dos políticos republicanos. Recordemos a violenta crítica do método demoliberal que J. Pedro de Oliveira Martins deu à estampa no século XIX, em As Eleições:
‘As eleições liberais individualistas são o sofisma da representação; não por vício dos homens, embora os homens sejam viciosos, mas por essência do errado princípio que os dirige: só quando, outra vez, se compreender (e agora conscientemente) que a Sociedade é um corpo vivo, e não um agregado de indivíduos, só então tornará a haver representação verdadeira e ordem na democracia.’
É, POIS, UM REI QUE QUEREMOS!, pois só um Rei traduz a vontade nacional, sentindo com o Seu Povo e a Sua Nação. O Povo não é uma amálgama de indivíduos, mas um conjunto de entes que num dado momento histórico constitui a Nação, uma comunidade estável constituída por vontade própria, historicamente, com base num território, numa LÍNGUA, e com aspirações materiais e espirituais comuns. Ora se a Nação estiver constituída em Reino, e uma vez que Monarquia é uma instituição que contém um peso emblemático, todos se sentirão parte de um todo.
O Rei, Chefe Supremo do Estado e da Nação, nunca foi político nem militante partidário, e independente de um calendário eleitoral, terá a tranquilidade e a legitimidade para actuar como moderador entre as várias facções políticas ou demais grupos da sociedade civil evitando conflitos e procurando agregar. Sem os vícios do sistema político, o Rei não será refém de favores ou obrigações, de interesses ou lobbies partidários, económicos ou mesmo desta ou daquela classe social. O Monarca é um capital contributo para o normal e regular funcionamento das instituições democráticas e nunca um bloqueador do seu funcionamento.
El-Rei será, também, em último caso, uma ressalva contra a ditadura, pois será travão de políticos eleitos que procuraram obter poderes maiores aos atribuídos pela Constituição.
Antes de ser Monarca é herdeiro presuntivo e burilado para adquirir todas as competências e conhecimentos sejam políticos, técnicos, científicos e culturais para que esteja devidamente apetrechado para desempenhar com o máximo de aptidão o seu Ofício de Reinar.
Um Rei nunca olhará convenientemente para o lado, nunca se enclausurará, mas desempenhará a Sua função de Monarca com brio, sem cair no desvario, no excesso, sem se deixar embriagar de poder e deslumbrar pelos aplausos! E defenderá a Sua cultura, a Sua LÍNGUA e a Nação, que encarna, sempre como a melhor… sem concessões!
‘A minha Pátria é a Língua Portuguesa’, escreveu Fernando Pessoa.
MAIS VALE SER SÚBDITO NUMA MONARQUIA DO QUE LACAIO NUMA REPÚBLICA!
Miguel Villas-Boas

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

LEMBRAR DOM AFONSO DE BRAGANÇA QUE NASCEU HÁ 151 ANOS


Para a vis galhofeira e despeitada, pois claro, o irmão mais novo de Dom Carlos I ficou para a história como o Arreda. Porém, foi muito mais, ou antes, serviu o país como nenhum outro infante português o fez no período final da monarquia. Militar, diplomata, agente de progresso e entusiasta das engenharias, foi também um governante de mérito, estabilizando a situação na Índia e granjeando grande popularidade entre os portugueses ultramarinos. A ele ficou também o país a dever o incremento que deu à constituição dos corpos de bombeiros voluntários, ainda hoje uma das mais significativas expressões do serviço à comunidade. Foi, também, fundador do Automóvel Club de Portugal. É tempo de desrepublicanizar a historiografia e repor nos pedestais aqueles que verdadeiramente serviram o Estado, a nação e o povo.
Dom Afonso de Bragança, conhecido como o Infante D. Afonso, de seu nome completo Afonso Henrique Maria Luís Pedro de Alcântara Carlos Humberto Amadeu Fernando António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando Inácio de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança (Ajuda, Lisboa, 31 de Julho de 1865 — Nápoles, 21 de Fevereiro de 1920) foi o 3.º Duque do Porto, 24.º Condestável de Portugal e o 109.º governador e 51.º e último vice-rei da Índia Portuguesa.

Segundo filho do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia de Saboia, princesa da Sardenha, e irmão mais novo do Rei Dom Carlos I, D. Afonso desempenhou as funções de Condestável do reino, tendo sido nomeado Vice-Rei da Índia em 1895, por ocasião de uma expedição a essas colónias. Representou algumas vezes o irmão em cortes estrangeiras. Foi general de divisão do exército português e inspector-geral da arma de artilharia. Era ainda comandante honorário dos Bombeiros Voluntários da Ajuda.

Miguel Castelo Branco