sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DOM DUARTE DE BRAGANÇA: "TIMOR, QUE FUTURO"? -

Após a conquista de Malaca por Afonso de Albuquerque, os navegadores portugueses herdaram os circuitos comerciais que os malaios tinham desenvolvido nos arquipélagos que hoje constituem a Indonésia.
Acabaram por chegar à última ilha antes da Austrália e à costa norte dessa ilha-continente, por volta de 1515, como atesta um mapa existente nos arquivos do Vaticano.
Os Reis timorenses, ou Liurais, ficaram bem impressionados com os padres Dominicanos e com a nossa gente, estes estranhos "malais" com grandes barbas, e decidiram estabelecer um pacto eterno com o Rei de Portugal. Os Liurais dizem que esse pacto mantem-se válido até hoje...
Durante os cerca de quatrocentos e cinquenta anos seguintes assistiu-se a um caso único na colonização europeia: em geral os timorenses governaram-se a si próprios apoiando-se na orientação espiritual e política da Igreja Católica e na defesa organizada pelo representante do Rei de Portugal, geralmente um governador europeu ou um nobre de Goa.
Houve alguns desentendimentos, houve alguns conflitos, como até um governador que os timorenses capturaram e devolveram ao Rei de Portugal no primeiro navio que seguiu para Lisboa...
Esta notável História de um povo guerreiro e livre que estabelece uma aliança eterna com outro povo, do outro lado do Mundo, merece ser melhor conhecida, livre de manipulações políticas: veja-se o caso do Liurai D. Boaventura que entre em conflito armado com o Governo da Província, e que em 1912 restaura a Monarquia Portuguesa em Timor...
Hoje tem uma estátua erguida pelos indonésios ao "herói anticolonialista"...
Desde a campanha "Timor 87 - Vamos ajudar", que mobilizou dezenas de milhares de portugueses em favor dos refugiados no Vale do Jamor até à apoteótica recepção dada por um milhão de lisboetas ao Bispo D. Carlos Ximenes Belo, em Setembro de 99, ficou claro que a ligação entre os dois povos é alheia a critérios políticos ou económicos; é afectiva, é uma relação de amor que sobreviveu às loucuras de 1975 e a 25 anos de violação pelo país vizinho, rico e poderoso, que contaria com o apoio de facto de quase todos os governos.
O problema das nossas relações passará agora por uma fase delicada: até que ponto quererão os timorenses continuar ligados a Portugal, e de que maneira nós, os portugueses, poderemos ajudá-los melhor sem interferir com a sua independência e com o seu direito a decidirem livremente o caminho a seguir?
No Oceano Pacífico há 11 territórios associados à União Europeia. No estatuto de Estados Associados dois estados soberanos partilham a mesma nacionalidade, e a defesa, caso da Holanda com as Antilhas Holandesas ou os EUA com Porto Rico, por exemplo. Podem também ter um Chefe de Estado comum.
Portugal não pode recusar essa hipótese a Timor e os políticos timorenses terão que consultar o povo antes de se decidirem se querem abandonar a nacionalidade portuguesa e serem um pequeno pais isolado no Pacífico.
E a reconstrução seguirá o modelo anterior e o estilo dos outros territórios da região, repetindo os erros do passado?
O novo Estado tem a possibilidade de desenvolver um modelo próprio, com um urbanismo e arquitectura em harmonia com a cultura e o clima locais, usando materiais locais em vez de importar cimento.
Podemos ver no Alentejo, em Moçambique, na Califórnia, construções em blocos de adobe secos ao sol, que aguentaram bem muitos séculos de vida.
E vemos muitas construções em cimento armado que após 50 anos de vida então condenadas à demolição por serem irrecuperáveis. E há hoje novas tecnologias, que permitem construir com adobe, hotéis de luxo de 2 andares, mais confortáveis que os de cimento.
Na agricultura foram no passado cometidos graves erros ao serem introduzidas técnicas novas sem consideração pelas realidades ecológicas locais. As técnicas locais poderão ser aperfeiçoadas, mas não podemos esquecer por exemplo as potencialidades da "agricultura biológica", sem produtos químicos artificiais, na produção de café e arroz para exportar para os países ricos.
Mas o mais importante será o modelo de educação que os timorenses escolherem. A maioria dos "países do 3º mundo", seguem os modelos dos antigos colonizadores, geralmente desajustados das suas realidades culturais e sociais. Pensam mais nos filhos das elites do que nas necessidades práticas do povo. O mesmo sucede em Portugal, e seria um grave erro transplantar os nossos programas para Timor... O grande desafio para Timor será o de encontrar soluções solidamente enraizadas nas suas realidades culturais económicas e ecológicas mas que possam beneficiar do que a moderna ciência e técnica têm de melhor.
Em relação à organização política do território, sinto que há a possibilidade de finalmente ser ultrapassado o "modelo obrigatório" que o Ocidente exportou para todo o Mundo após a segunda Guerra Mundial.
Se, como pretende a doutrina oficial, o objectivo deste modelo de Democracia é o de dar o poder de decisão ao Povo, o resultado foi um fracasso quando aplicado fora da Europa e da América do Norte, salvo honrosas excepções. Em geral o poder acabou por passar dos Reis e dos Chefes Tradicionais para as mãos de oligarquias financeiras ou de Forças Armadas, que em alguns casos se abrigaram por trás da fachada de partidos políticos, comunistas ou capitalistas.
O resultado foi um muito maior afastamento entre o poder e a população que esse poder era suposto servir...
A aplicação recente a Angola do modelo constitucional português, no qual quem ganha as eleições controla todo o poder e quem as perde fica só com a possibilidade de se queixar no Parlamento, foi a causa imediata do reacender da guerra civil que devastou um dos países mais ricos do mundo e o reduziu à maior pobreza.
O Administrador de Timor Sérgio Vieira de Mello tem demonstrado grande vontade de cumprir bem a sua missão e tem realizado um excelente trabalho com os meios restritos de que dispõe. Ele declarou a um jornal que "as Nações Unidas terão pela primeira vez a oportunidade de por em prática as suas utopias". Não sei em que consistem, mas parece-me preferível que sejam os timorenses a ter a possibilidade de desenvolver um sistema político verdadeiramente representativo do seu povo, e que evite as fracturas artificiais que há 25 anos o precipitaram na guerra civil e abriram as portas à ocupação estrangeira. Por exemplo seria possível que os candidatos ao Parlamento só pudessem concorrer a título individual, sem etiquetas partidárias independentemente dos partidos a que eventualmente pertençam. Desse modo não haveria partidos vencedores e perdedores. Os Partidos teriam a missão de estudar e promover as grandes opções políticas e económicas, sem quererem ser "os donos do poder".
Seria muito útil a existência de uma Segunda Câmara, consultiva, um Senado não eleito pelo voto universal mas representativo das forças morais do país. Estariam presentes por exemplo, os principais Liurais, os Bispos, e os representantes de outras religiões, além das Forças Armadas e de algumas personalidades importantes que foram reformadas.
Desse modo seriam aproveitadas a sua experiência e autoridade moral e o Povo estaria indirectamente representado.
Faço votos de que a milenar sabedoria do Povo timorense saiba encontrar as melhores soluções, sem se deixar dominar por pressões externas e por doutrinas políticas e económicas impostas do exterior.
Setembro de 2001
Texto:  Única Sempre Avis

S.A.R., DOM DUARTE DE BRAGANÇA VISITA CÂMARA MUNICIPAL DE LÂMEGO

Aproveitando a sua presença no tradicional Jantar dos Conjurados, promovido pela Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro, que este ano decorreu na cidade de Lamego, Dom Duarte de Bragança deslocou-se à Câmara Municipal de Lamego para a apresentação de cumprimentos.
No encontro de cariz simbólico que manteve com diversos membros do executivo desta autarquia e de outros autarcas do concelho, o Herdeiro da Casa Real mostrou a sua satisfação por visitar uma cidade com um passado histórico intimamente ligado à génese e à consolidação da Monarquia portuguesa e realçou o facto de existirem no Douro muitos homens e mulheres fiéis a este regime.
À semelhança do ocorrido em anos anteriores, o Jantar dos Conjurados, realizado a 3 de Dezembro último, foi aberto a todas as pessoas que pugnam ou têm simpatia pelo Ideal Monárquico e também a todos aqueles que simplesmente querem associar-se à evocação de uma data marcante da História portuguesa que assinala o 370º aniversário da Restauração da Independência de Portugal.
Fonte: Câmara Municipal de Lamego - 7 de Dezembro de 2010

DOM DUARTE PIO REUNIU COM SIMPATIZANTES DO IDEAL MONÁRQUICO EM COIMBRA

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

COMO O REI SE ANTECIPOU AO GOVERNO...

Jornal i actualizado há uma hora

PORTUGAL DEVE PEDIR EMPRÉSTIMO AO BRASIL, DIZ CHEFE DA CASA REAL

SÃO PAULO - Autoridades portuguesas consideram mais vantajoso negociar um empréstimo com o Brasil para solucionar sua crise da dívida do que buscar ajuda financeira junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) ou à União Europeia (UE), sugeriu dom Duarte Pio, duque de Bragança e chefe da Casa Real Portuguesa, informou a agência de notícias Lusa.
"Tenho indicações de que muito nos beneficiaria negociar com o Brasil um empréstimo para resolver a crise da dívida pública soberana em melhores condições do que com o FMI ou a Europa", declarou dom Duarte, citado pela agência Lusa.
Uma fonte próxima de Dom Duarte observou, em conversa com a Agência Estado, que "há uma tendência, dentro e fora do governo (português) de solicitar o apoio do Brasil". Ainda de acordo com essa fonte, "a compra de títulos portugueses seria, no momento, altamente vantajosa" tanto para Portugal quanto para o Brasil.

DOM DUARTE MEDEIA POSSÍVEL EMPRÉSTIMO DO BRASIL A PORTUGAL

Em entrevista ao jornal "i", Dom Duarte diz estar envolvido na dinamização de uma rede lusófona que poderá ajudar Portugal a satisfazer as suas necessidades de financiamento e evitar o recurso ao FMI.
Dom Duarte adianta que na véspera do dia 1 de Dezembro (Dia da Restauração da Independência), “um ministro do futuro governo de Dilma Rousseff - que também é ministro do actual governo de Lula da Silva”, mas que declina revelar quem seja, “telefonou-me e manifestou o interesse do futuro governo brasileiro para apoiar Portugal na questão da dívida externa em melhores condições que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, eventualmente, em melhores condições até que a União Europeia”.
Diz ainda que essa negociação com Portugal seria iniciada logo que Dilma assumisse a presidência. “Aliás, julgo que já houve contactos entre o governo português e o de Lula da Silva durante a Cimeira Ibero-Americana que decorreu na Argentina”, acrescenta, dizendo que transmitiu ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, esses contactos, até porque é “um dos ministros mais competentes e com maior aceitação internacional”.
E quais seriam as vantagens? “Se resolvermos o problema com o Brasil estamos em família, a família lusófona. Por outro lado, só se faria se as condições fossem melhores. O que é humilhante, no caso do FMI, é que o FMI impõe condições e obrigações, e teremos de nos governar de acordo com as regras do FMI”, argumenta.
Fonte: Jornal de Negócios

DOM DUARTE: "SE RESOLVERMOS O PROBLEMA COM O BRASIL ESTAMOS EM FAMÍLIA. O ESTADO GASTA MUITO DINHEIRO COM PESSOAS QUE NÃO PRECISAM OU NÃO QUEREM TRABALHAR"

Dom Duarte serviu o chá, num bule japonês, oferta de um mestre do chá. O sabor adocicado das ervas não merece açúcar, assegurou. Depois recostou-se na cadeira. A sala da fundação Dom Manuel é escura, como imaginamos os castelos, e o dia negro não ajuda. Nas paredes, pinturas a óleo e resquícios de outro regime. Tinha estado ao telefone para Timor, na semana passada pediu a nacionalidade timorense. A brasileira pode ser a seguinte, "quem sabe", diz. Para já, o país que será de Dilma deverá dar uma ajuda às contas nacionais.
Defendeu que Portugal deve pedir ajuda ao Brasil, para evitar a entrada do FMI no país? - Na véspera do dia 1 de Dezembro (Dia da Restauração da Independência), um ministro do futuro governo de Dilma Rousseff - que também é ministro do actual governo de Lula da Silva - telefonou-me e manifestou o interesse do futuro governo brasileiro para apoiar Portugal na questão da dívida externa em melhores condições que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, eventualmente, em melhores condições até que a União Europeia. E gostariam de abrir essa negociação com Portugal logo que Dilma assumisse o governo brasileiro. Aliás, julgo que já houve contactos entre o governo português e o de Lula da Silva durante a Cimeira Ibero-Americana que decorreu na Argentina.
Qual foi o ministro de Lula da Silva que o contactou? - Preferia não revelar o nome.
Mas revelou essa conversa ao governo português? - Sim, claro. E agradeceram. Transmiti, aliás, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, porque me pareceu que é a pessoa mais indicada e é a pessoa do governo com quem tenho melhores relações.
É apontado como remodelável... - Espero que não, porque é um dos ministros mais competentes e com maior aceitação internacional.
O contacto do ministro brasileiro fez com que no discurso de dia 1 de Dezembro falasse de uma confederação dos países lusófonos? - O telefonema surge na sequência da conversa que tive em Brasília com algumas pessoas do governo e em que manifestei que há em Portugal interesse numa futura confederação de Estados lusófonos. Isto quereria dizer que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iria evoluir para uma confederação de Estados lusófonos. A confederação não é só uma aliança de Estados, é o começo, de facto, de um Estado. A Commonwealth, que a Inglaterra preside, não é uma confederação, é menos que uma confederação. E a Commonwealth nunca impediu a Inglaterra de pertencer à União Europeia, pelo contrário.
Disse ainda que Portugal é um país humilhado. De quem é a culpa? A culpa é de todos nós, porque temos um país que, desde que aderiu ao euro, começou a gastar como os alemães e a produzir como europeus do Sul da Europa. Claro que se saíssemos do euro haveria inconvenientes graves, mas por outro lado podíamos passar a ter competitividade económica maior, produzir melhor e mais, exportar mais e o nosso turismo ficava mais competitivo. A desvantagem é que a dívida externa seria mais difícil de pagar. Se entrarmos para uma confederação lusófona, as economias portuguesa, angolana e brasileira poderiam ser mais bem coordenadas e haveria sinergias que seriam certamente benéficas para Portugal.
Pedir dinheiro ao Brasil é menos humilhante do que pedir à Alemanha? - Se resolvermos o problema com o Brasil estamos em família, a família lusófona. Por outro lado, só se faria se as condições fossem melhores. O que é humilhante, no caso do FMI, é que o FMI impõe condições e obrigações, e teremos de nos governar de acordo com as regras do FMI.
É público que pediu a nacionalidade timorense. O país com o qual tenho as relações mais íntimas e para cuja liberdade dei uma grande contribuição foi Timor. Espero que depois das minhas conversas com o Dr. Ramos-Horta e com Xanana Gusmão seja uma possibilidade. É um gesto de simpatia e de amizade para com Timor. O problema neste momento ainda é um problema legal, como não sou residente lá. Aliás, julgo que poderia pedir a nacionalidade brasileira, visto que a minha mãe é brasileira. Quem sabe...
Fica bem a um Rei ter várias nacionalidades... - A Rainha de Inglaterra tem dúzias de nacionalidades. Tem a nacionalidade de todos os países da Commonwealth. A primeira visita ao país deu-se um pouco antes do 25 de Abril.
Fui visitar Timor em 1974, onde tinha na altura o meu camarada do Instituto de Agronomia - o engenheiro Mário Carrascalão. Comecei a ter problemas com a DGS, antiga PIDE, e os timorenses foram intimidados para não virem falar comigo. Quando isso aconteceu, o bispo de Timor da altura convidou-me para ficar hospedado na sua residência. As pessoas faziam de conta que iam visitar o bispo para me visitarem a mim. que estava lá hospedado.
O 25 de Abril deu-se por essa altura? - Dali fui para o Vietname e estava em Saigão quando o presidente do parlamento vietnamita me ligou a contar o que tinha acontecido.
Como reagiu à notícia? - Fiquei muito feliz por achar que o general Spínola iria resolver os problemas nacionais do ultramar e da diplomacia em Portugal. E por isso, mandei um telegrama de apoio à Junta de Salvação Nacional manifestando o meu apoio.
Mas foi Salazar que permitiu que a família do Dom Duarte voltasse a Portugal. - Houve votações no parlamento contra o exílio, que foi considerado ilegítimo. O meu pai queria vir logo para Portugal, mas o governo na altura disse que ainda não era conveniente. De maneira que eu voltei mais cedo e fiquei a estudar em casa da minha tia Filipa em Serpins, ali na Lousã, até que a família voltou toda nos anos 50. Mas as propriedades não foram devolvidas à família, por isso ficámos a viver numa casa emprestada, em Coimbrões (Gaia).
Mas - utilizando uma expressão que está na moda - a família do Dom Duarte estava "integrada" no antigo regime? - O meu pai nunca chegou a conhecer o presidente do governo. Quem tinha mais relações com Salazar era a minha tia Filipa. Eu visitei Salazar três vezes. Achei-o um homem absolutamente notável, muito interessante, simpático. Entretanto, à medida que fui amadurecendo, fui percebendo que a política do regime não tinha solução e encorajei a formação do movimento eleitoral monárquico, que foi o embrião do que mais tarde foi o Partido Popular Monárquico.
As pessoas têm curiosidade de saber do que é que vive. - Tenho um nível de vida discreto. A minha mãe herdou no Brasil parte da nossa sociedade familiar. No Brasil, o governo republicano não roubou a família. Somos proprietários, entre outras coisas, de todo o terreno onde está construída a cidade de Petrópolis e cada pessoa que tenha casa em Petrópolis, quando a vende, tem de pagar um imposto à sociedade familiar. Por outro lado, em Portugal temos uns prédios com rendas muito antigas.
A sua inquilina mais velha, a Dona Maria Luísa, ainda é viva? - Sim, tem 114 anos. É a minha inquilina mais engraçada. Neste momento, ela devolveu o apartamento. Pago-lhe parte das despesas do lar onde está.
Já tem cartão do cidadão? - Tenho o Bilhete de Identidade, enquanto não for obrigado não mudo.
E no BI, está escrito o nome completo: Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael? - Não, só tenho Dom Duarte Pio de Bragança. No registo de baptismo ficou o nome completo, mas só para a dimensão espiritual.
A Rainha Dona Amélia foi sua madrinha e o Papa Pio XII o seu padrinho... - A Rainha Dona Amélia era muito amiga da família. O Rei Dom Manuel reconheceu o meu pai como seu sucessor político e foi padrinho de uma tia minha, a minha tia Maria Adelaide que está também a fazer 100 anos. Foi resistente do nazismo e presa pelos alemães na Áustria porque participava na resistência austríaca contra o domínio alemão, ajudando os refugiados a fugirem para a Suíça. É a última neta viva do rei Dom Miguel. Neta mesmo, não é bisneta. Os outros todos já morreram.
Tem o brevê de piloto. Ainda pilota? - Pilotei um helicóptero em Beja há pouco tempo. Quando o meu antigo instrutor era vivo, voei com ele várias vezes, nomeadamente quando estava em serviço de incêndios.
E a agricultura? - O meu irmão em S. Miguel é que se ocupa da quinta. Produz lá vinho e frutas, mas com grandes problemas económicos. Os agricultores estrangeiros recebem mais subsídios que os portugueses. Nós não recebemos subsídios praticamente nenhuns. Eu sou horticultor. Em Sintra, vou dando uma mão nas nossas hortas. Do que gosto mais são as nossas framboesas, são das melhores que há. Temos legumes frescos, galinhas e patos. As galinhas e os patos são óptimos para reciclar os restos de comida. Salazar criava galinhas em São Bento. O nosso primeiro-ministro podia começar também a fazer o mesmo.
Acha que vamos ter eleições legislativas no próximo ano? - Não faço ideia. Gostaria de ver um governo de unidade nacional. Creio que o candidato Fernando Nobre também propôs isso. As decisões duras que vão ter de ser tomadas seriam mais fáceis se houvesse um consenso e uma responsabilização colectiva pelo menos dos principais partidos. Caso contrário, qualquer partido que esteja no poder vai ter medo de comprometer a sua carreira política, tomando decisões duras. Há decisões práticas que vão ter de ser tomadas, diminuição do número de feriados ou pelo menos juntá-los ao fim-de-semana, por exemplo.
Está preparado para a austeridade? - Vamos ter de aprender a viver bem, com felicidade, com menos. E para isto é muito importante espírito de caridade. Faz-se caridade por amor às pessoas, com pessoas com quem não temos ligação nenhuma. Temos de nos organizar para não haver pessoas a passar fome, para não haver pessoas na rua e na miséria. O Estado não consegue resolver os problemas, gasta muito dinheiro com pessoas que não precisam ou que não querem trabalhar e temos muitas pessoas que não são ajudadas.
Jornal I
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“MAIS DO QUE REGIME, HÁ PROBLEMAS DE VALORES"

Paulo Teixeira Pinto, Presidente da Causa Real sobre situação no 370.º aniversário da Restauração da Independência.
Correio da Manhã – Dom Duarte de Bragança, a propósito das comemorações da Restauração da Independência, afirmou numa entrevista que a crise profunda "reforça a legitimidade monárquica". Como comenta estas declarações? - A crise profunda reforça, no fundo, a inspiração monárquica na busca de identidade. A legitimidade é a mesma. Tem mais que ver com o refúgio da confiança. Mas obviamente que concordo com o que diz D. Duarte de Bragança, quer pela natureza quer por uma questão de lealdade.
Dom Duarte é também muito crítico em relação ao actual sistema. O que tem a dizer nesta matéria? – Dom Duarte de Bragança é da Casa Real, eu sou da Causa Real, não me compete estar a comentar o que diz o Príncipe.
Mas terá uma opinião própria em relação ao actual regime? - Mais do que um problema de regime, o que existe é um problema de vida, de valores e de comportamentos.
Que alternativas propõe ao actual regime? - Essa é uma questão que tem que ver com o processo de Revisão Constitucional e que não posso estar agora a reproduzir em meia dúzia de linhas. Seria um assunto para uma conversa mais longa.
Qual o ponto de situação do processo de revisão constitucional? - O projecto foi entregue e agora é um assunto que compete aos grupos parlamentares.
Mas está atento ao processo? – Obviamente, tenho estado atento a todo o processo.
No dia em que se celebra a Restauração da Independência, que mensagem gostaria de deixar aos portugueses? - Que quando há vontade, uma vontade dirigida a um bem comum, se medite no que aconteceu há 370 anos, quando quarenta vontades individuais interpretaram uma vontade colectiva.
02 de Dezembro de 2010 - Correio da Manhã

A MONARQUIA E A MOBILIDADE SOCIAL

"Tratando primeiro da mobilidade social: esta não é apanágio da república; não houve um momento de cisão a 5 de Outubro de 1910 em que uma ordem medieval e feudal se esvaneceu dando origem a um país de liberdade, fraternidade e igualdade. Já durante a Monarquia estruturas como a primogenitura, o morgadio, os cargos hereditários foram sendo abolidos (veja-se as reformas do Marquês de Pombal ou a Lei da Extinção do Morgadio de 1863). Em plena monarquia muitos indivíduos de origem humilde chegaram a ocupar posições de destaque. A título de exemplo veja-se Lucas de Seabra da Silva, 1º Morgado de Fail e de Lobão, conselheiro d’El-Rei D. João V e pai do famoso José de Seabra da Silva (este último um dos homens mais importantes do seu tempo). Era filho de um obscuro senhor de Sta. Maria da Feira sobre o qual pouco se sabe. Note-se ainda fidalgos de origem provinciana que acederam a cargos até aí reservados à nobreza de corte (1º Marquês de Pombal e D. Alexandre de Sousa Holstein, entre outros) ou até mesmo comerciantes de grosso trato que no século XIX vieram a integrar a elite portuense (Constantino do Vale Pereira Cabral, Alfredo Allen 1º visconde de Villar d’Allen, Domingos da Silva Freitas). Assim sendo, a meu ver o monarquia é perfeitamente capaz de recompensar o mérito, havendo mobilidade social, sem ser o disparate que actualmente se verifica—distribuem-se comendas como copos de água, o presidente dá louvores e medalhas a indivíduos que deviam estar na prisão, etc.
Quanto à questão da existência da nobreza, penso que é dos aspectos mais positivos da monarquia. Por um lado, é a garantia de que os nomes de homens de valor não ficam perdidos na História, sendo representados pelos seus descendentes de sangue. Com efeito, um título é uma forma de património histórico que deve ser mantido, preservado e respeitado, tal como um museu ou um artefacto. Por outro lado, é imprescindível lembrar que a nobreza não é uma classe estanque: um indivíduo cujas origens não sejam nobres pode aceder a esta casta de faça algo que mereça essa distinção. É, de certa forma, o reconhecimento final do mérito, uma distinção que deve ser exclusiva, para não perder a sua importância (aprenda-se com a república, em que uma medalha pouco ou nada vale—todos têm).
Sugiro que consideres a possibilidade de a nobreza não ser um “encargo” da Monarquia, mas sim um benefício, uma mais-valia."

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

NOVENA E SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO EM VILA VIÇOSA - 8 DE DEZEMBRO DE 2010

No Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, No dia 8, pelas 9h30, acolhimento aos Peregrinos e recitação do Terço, a cargo das Confrarias de Nossa Senhora.
Às 11h00, Eucaristia da Solenidade da Imaculada Conceição. No final da Eucaristia haverá tomada de posse dos Escravos de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Às 14h30, Terço solenizado a cargo da Ordem do Carmo, seguido de Procissão em honra de Nossa Senhora da Conceição pelas ruas de Vila Viçosa com a presença de representantes de Paróquias, Movimentos, Associações, Romeiros a cavalo, Irmandades e Confrarias e as Ordens de Santa Isabel e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa com os Duques de Bragança.
Às 17h00, Eucaristia da tarde, no final da qual haverá um acto de investidura de novos cavaleiros da Ordem de Nossa Senhora da Conceição e acto de Consagração.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FOTOS: JANTAR DOS CONJURADOS DE 2010 NO CONVENTO DO BEATO

Vista panorâmica da decoração da sala
Mesa Real - Fotos de Raul Bugalho Pinto (RAL)
 Final do discurso de Paulo Teixeira Pinto, Presidente da Causa Real - Foto de Joana Dias Pereira
 S.A.R., A Senhora Dona Isabel dança animadamente com Seu irmão Afonso de Herédia - Foto de Joana Dias Pereira 
Jaime Pinho, no final do jantar oferece um boquet de rosas a S.A.R., A Duquesa de Bragança
À entrada do Convento do Beato um grupo de meninas de gabão a promover a Sagres "Bohemia" no Jantar dos Conjurados.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A POLÉMICA EM TORNO DO PEDIDO DE NACIONALIDADE TIMORENSE POR S.A.R., DOM DUARTE DE BRAGANÇA

A recente polémica que envolveu a declaração de S.A.R., Dom Duarte sobre o pedido de nacionalidade timorense (a 1 de Dezembro de 2010) evoca bem a pesada herança de ignorância e vista curta que tem penalizado o País (que há 3 decadas ia bem além dos limites euopeus que hoje conhecemos) bem como uma abordagem costumeira que já em 1999 encheria a 1º Página do Expresso a espelhar o embaraço com que as autoridades portuguesas brindariam S.A.R., Dom Duarte ao não O incluir nas cerimónias oficiais. Convém saber que desde o início da tragédia que desabou sobre Timor-Leste que Dom Duarte procurou encontrar soluções para o drama vivido. Para além de alertar não só em Portugal como no estrangeiro para o infortúnio vivido nesta ilha limite da Lusofonia e apoiar os timorenses no exílio. S.A.R., Dom Duarte foi um constante embaixador de uma causa que muitos julgaram completamente perdida. "Timor é uma ilha indonésia que pouco ou nada tem que ver com Portugal", como se chegaria a afirmar. O príncipio de não intervir espelhando bem na frase atrás afirmada por um alto representante da República Portuguesa, em funções à altura, espelhava bem o sentimento generalizado durante muitos anos junto do poder instituído, a quem supostamente competiria zelar pelos interesses deste povo abandonado pela Republica, mas que pensa, sofre, reza e fala em Português.
Quando S.A.R., Dom Duarte de Bragança alertava para este drama e procurava encontrar soluções, vários foram aqueles que esboçaram (tal como hoje, em todos os assuntos que envolvem esforços monárquicos) um sorriso trocista, "um o problema insolúvel" diria-se por muitos que preferiram virar as costas, tapar os ouvidos, e fingir que nada sucedia a resolver um problema que não auferia qualquer mais valia política.
O País viria a provar em peso que o "stablishment" republicano estava enganado e que S.A.R., Dom Duarte, não. No verão de 1999 o País mobilizou-se para forçar governos externos e o governo eleito internamente a descobrir que ser-se português está além das definições constitucionais e filosóficas elegantes que enchem manuais de geoestratégia... os portugueses viram o que Dom Duarte sabia há anos, que em Timor também se rezava a Nossa Senhora e que aquelas palavras eram as de Camões, eram portugueses que ali estavam!
É perfeitamente normal que o sentimento humanista e universalista que reveste a acção da Casa Real Portuguesa, numa coerente continuidade daquilo que era Portugal antes de 1910, cause mau estar entre os galos que enchem as paredes do edificio Democrático Nacional. Não está no gene republicano a defesa de principios ou de causas perdidas, a "ética republicana" não conhece rumos desprovidos de retorno monetário nem a veste, humilde de quem não é investido, galardoado ou reconhecido publicamente. A Monarquia é um serviço, não um pódio pagão para cidadãos que se confundem com entidades superiores, é um caminho longo que pode durar gerações.
Dom Duarte ao pedir a cidadania de um País lusófono está apenas a devolver a Portugal a sua dimensão natural, aquela que motivaria ilustres vultos da literatura lusa como Pessoa, Camões ou António Vieira a sonhar com um mundo diferente, com o legado que a lusofonia podia inscrever...poís que não são só palavras que defendemos, mas uma particular percepção do Mundo... a Portuguesa. Será utopia?...talvez a mesma que motivou alguns escassos dos nossos antepassados a disparar que nem projecteis em torno de um mundo que as naçõs mais ricas julgavam ser plano, a construir um edificio de nações que se reconhecem como irmãs, a prever uma humanidade plural, a sonhar com um mundo maior do que aquele em que nascemos.
Entre um Politico e um Estadista é só uma questão de horizonte e vontade, se para as ilustres mentes republicanas o Portugal republicano começa em Trás-os-Montes acabando nas ilhas atlânticas certamente que legítimo herdeiro de um Estado com quase 900 anos pode e deve fazer ver com actos que tal não é verdade.
S.A.R., Dom Duarte ao pedir a cidadania timorense está a afirmar com actos que Portugal, o verdadeiro Portugal, é maior do que aquele a que nos querem aprisionar e que cabe a nós (Presente e Futuro) acabar as Capelas Imperfeitas de que nos falava Pessoa.
RGS
Fonte: monarquiaportuguesa.com