sábado, 31 de julho de 2010

DOCUMENTOS DA ACLAMAÇÃO DE EL-REI DOM DUARTE II
UNIÃO MONÁRQUICA - (II)
(Clique nas imagens para ampliar)
Edição das Juventudes Monárquicas - Lisboa,1933
Fonte:
http://www.angelfire.com/pq/unica/

DOCUMENTOS DA ACLAMAÇÃO DE EL-REI DOM DUARTE II
UNIÃO MONÁRQUICA - (I)
(Clique nas imagens para ampliar)
Edição das Juventudes Monárquicas - Lisboa, 1933
Fonte:
http://www.angelfire.com/pq/unica/

REAL FRASE DO DIA Mensagem do 1º de Dezembro de 2009

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O REPTO DA EUROPA
1. Os fundadores da União Europeia tinham bem presente no seu pensamento os horrores das guerras que dilaceraram a Europa no século XX e, através do novo projecto, eles mesmos enunciaram o propósito de que nunca mais fosse possível uma guerra entre nações europeias sabendo que a História do Velho Continente está repassada de conflitos, alianças estratégicas e tentativas hegemónicas.
No plano económico e cultural era mais fácil encetar o processo - e assim o fizeram, sempre norteados pela matriz cristã que está na origem da Europa e que, independentemente do laicismo, juridicamente implantado, conforma a sua personalidade, os seus valores e a ética dos comportamentos.
2. A União Europeia engloba um mosaico de povos, de tradições seculares, culturas e idiomas próprios, com as suas próprias histórias pátrias.
Esta diversidade constitui a sua maior riqueza e todo o processo de unificação não pode, de modo algum, apagar ou diluir esta realidade, se quer, como proclama, constituir-se num processo de enriquecimento e não de enfraquecimento europeu. É, portanto, de importância vital ponderar cuidadosamente todas as decisões que, de alguma forma, possam afectá-la. Se é certo que é urgente acelerar e tornar mais ágil e eficaz o processo de decisão, sobretudo com as perspectivas do alargamento, contudo é fundamental ter presente que a unificação não se faz sobretudo por processos e medidas jurídico-administrativas mas por avanços sustentados que traduzam na realidade uma maior identificação de pontos de vista e de interesses comuns.
3. A evolução da Comunidade para a União Europeia, com a adopção da moeda única e a subscrição do Tratado de Maastricht, foi muito discutida na maioria dos Estados-membros, tendo sido aprovada por referendo nos países onde a plena elucidação das matérias políticas e o respeito pela vontade do povo são determinantes. Pelos vistos, em Portugal a democracia dispensa estes rigores, parecendo suficiente uma generosa presunção da vontade popular !
4. Será este o caminho correcto, sabendo que o problema principal da proposta de Constituição europeia é que esta obrigará a efectuar correcções e reformulações, deixando, de facto, a porta aberta a futuras evoluções na direcção dos Estados Unidos da Europa e apresentando soluções claramente federalizantes como solução única para ultrapassar as contradições actuais? E tal ocorre quando são muitos os sinais europeus de sentido contrário !
5. Foi, inclusive, afirmado que, caso não aceitem a Constituição europeia, deverão os países em desacordo abandonar a União, quando, perante a letra dos tratados em vigor, a nova Constituição só poderá ser aprovada por unanimidade, o que significa que se propõe a ultrapassagem subtil de uma norma fundamental por caminhos algo ínvios.
6. Em Portugal, a falta de informação pode ser uma explicação para um aparente optimismo generalizado. Para que os portugueses possam ser informados e decidir em consciência é indispensável termos um referendo em que o Povo, ainda soberano, possa dizer aos seus representantes no Parlamento se têm ou não o direito de alienar a nossa soberania. Esse referendo deveria realizar-se antes da eventual aprovação da tal Constituição! As democracias em que os eleitores não têm a possibilidade de ser bem informados sobre as decisões que terão de tomar são uma farsa e uma fraude. Tem que haver um grande debate nacional, esclarecedor e ponderado, para posterior julgamento dos Portugueses quanto às perspectivas que se lhes apresentam.
7. Felizmente, parece que os "pequenos países" já se preocupam com a perda do seu poder político: na reunião de 1 de Setembro passado, em Praga, os representantes dos 15 países pequenos pediram que fosse "revista a estrutura das instituições da UE e os seus processos de decisão".
Convém lembrar, por exemplo, que a alternativa entre confederação (Estados que mantêm intacta a sua soberania, expressa das mais diversas formas) e federação (Estados que alienam, de facto, a sua soberania, absorvida por uma presidência que se implante) não tem sido, sequer, apresentada aos Portugueses.
Uma decisão tão importante para o nosso futuro colectivo - e para o futuro da Europa - não pode ser tomada por um eleitorado desinformado. Os Portugueses sem dúvida que querem fazer parte da União Europeia, mas não acredito que queiram deixar de ser Portugueses.
(In O Independente, 19 de Setembro de 2003)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

125 MINUTOS COM S.A.R., DOM DUARTE PIO DE BRAGANÇA NO CASINO DA FIGUEIRA DA FOZ

Gravado ao vivo no Casino da Figueira da Foz em 15 de Abril de 2010. Exibição expressamente autorizada pelo Casino Estoril da Figueira (a quem agradecemos) e por S.A.R., O Senhor Duque de Bragança.

125 Minutos com D. Duarte Pio de Bragança from Fábio Reis Fernandes on Vimeo.

Fonte: Real Associação da Beira Litoral

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"OS PORTUGUESES SÃO MONÁRQUICOS"
O Herdeiro ao trono português, Dom Duarte Pio, lembra que a República nunca foi avalizada pelo povo. E não perdoa alguns republicanos, que, na sua opinião, querem limpar da História o papel da Casa de Bragança.
O que significa hoje o 1º de Dezembro para os portugueses?
-
Nas grandes cidades, significa provavelmente mais um feriado. Mas continua a ser importante que se celebre o dia da Independência Nacional. Este dia é sobretudo pretexto para isso.
Os monárquicos dizem que a República não tem aval popular. Defende um referendo?
- Se houver um número significativo de assinaturas (cerca de 10 mil pessoas) pedindo uma alteração do artigo 288 da Constituição, que indica que a forma de governo seja obrigatoriamente republicana, o referendo deveria ir avante. Este artigo é algo de aberrante e até perigoso e insulta metade dos países da UE, que são Monarquias. Também insulta os portugueses, considerando-os intelectualmente menores. Deixam-nos escolher o Governo mas não entre um Presidente da República e um Rei Se esse referendo for avante, deverá então ser feito um esclarecimento público e a pergunta deverá ser elaborada de forma isenta.
Se os portugueses dissessem sim à Monarquia em referendo, como é que ela poderia ser restaurada?
- Não poderia ser uma opção dramática. O povo deveria ser informado das vantagens e desvantagens deste sistema. Os monárquicos são contra uma Chefia de Estado política. Eles querem uma pessoa que simbolize todo o povo, e não uma parte, que possa servir de juiz e árbitro nas grandes questões nacionais. O assunto tem de ser visto à luz da realidade e não da História.
Existe o preconceito de que os monárquicos estão muito ligados à nobreza e sangue azul...
- Os dois grandes fantasmas que pairam sobre a Monarquia são os de que com a implantação deste sistema, a aristocracia triunfava e a democracia retrocederia. Quanto ao primeiro caso, basta ver que a presença da nobreza nas monarquias europeias é bastante moderada, em muitos casos não diferindo muito de certas repúblicas. Até há Monarquias onde os nobres são proibidos, como é o caso do Japão. No segundo caso, quero dizer que os Reis também são eleitos (e eventualmente destituídos) pelo povo, porque só se tornam monarcas depois de aprovados no Parlamento. Já os Presidentes, são teóricamente eleitos pelo povo mas são escolhidos e apoiados pelos partidos. Considero que o povo português é monárquico, uma vez que quer estabilidade na Chefia de Estado.
A República sente-se desconfortável com a Monarquia?
- Sim. A Causa Monárquica incomoda alguns republicanos. O facto de não ter sido convidado para integrar a comitiva oficial que se deslocou a Timor aquando da sua independência, pode ser disso ilustrativo. Creio que tive um papel algo importante em todo o processo timorense. Mas não faz nenhum sentido este receio.
Em que monarquia europeia se revê?
- Todas elas têm a mesma essência, apesar das diferenças. No fundo, o rei deve ter uma relação estreita com o seu povo, quase familiar, e reforçar os laços com a lusofonia.
A República está em crise?
- Hoje, todos dizem que não temos tradições, arquitectura, agricultura e moeda. Está-se a criar a ideia que Portugal já não existe como país e é apenas uma sub-região da Europa. Isto é muito perigoso.
Sousa Lara defendeu que a Família Real representa os contos de fadas e por isso a população se sente atraída por ela. Quer comentar?
- Existe uma dimensão um tanto mística sobre a Família Real. Um exemplo: uma recepção aqui com o Príncipe do Mónaco é mais concorrida do que com a do presidente mais poderoso da Europa.
Mas essa curiosidade em saber tudo sobre a Família Real também tem o seu lado negativo...
-A Família Real britânica tem sido perseguida por magnatas de Imprensa, como Robert Murdoch, porque ele deseja vir a ser um dia presidente. Curiosamente, por mais escândalos que saiam nos tablóides britânicos, a reputação da Rainha, D. Isabel II continua imaculada. As campanhas contra o Príncipe Carlos devem-se ao facto de ele ter defendido os pobres, abalando os interesses instalados.
Em Portugal, este tipo de fenómeno seria de todo impossível em relação a um hipotético Rei?
- Não. Mas tento preservar a privacidade dos nossos três filhos que estão numa fase crucial do crescimento. Não quero que eles sejam apontados na escola só porque são meus filhos.
Como interpreta este cenário internacional de terrorismo?
- Os países ricos têm patrocinado guerras e governos ditatoriais em África e na Ásia, agindo segundo os seus interesses. O terrorismo é criminoso e cobarde, mas há quem pense que é a arma dos pobres. Concorda com uma possível invasão norte-americana no Iraque?
- Porque é que o Iraque tem receio em mostrar as suas instalações nucleares? O país de Saddam já provou que é capaz de atacar terceiros com as suas armas poderosas. É preciso acabar com este perigo mundial.
O "caso Prestíge" demonstrou que os dois países ibéricos ainda têm um grande caminho a percorrer ao nível da colaboração.
- Este caso do petroleiro vem provar que tal acontece. Os dois países podem estreitar relações, desde que respeitem a sua independência.
Fonte: Correio da Manhã: 01-12-2001 / Foto: Monarquia

terça-feira, 27 de julho de 2010

RETRATO DE S.A.R., A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA
Exposição de pintura integrada no projecto "À Memoria das Mulheres da Casa de Bragança” - Guimarães e inserido nas comemorações oficiais das Jornadas Europeias do Património, para as quais foi executado o retrato solene de S.A.R., Dona Isabel de Herédia de Bragança, Duquesa de Bragança, assim como, reinterpretações de Dona Catarina, Dona Maria II e Dona Amélia. Realizado pelo pintor Oscar Casares em 2001.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

S.A.R., DOM DUARTE, PARTICIPOU NA COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DA CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO EM ELVAS
A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Elvas, a mais antiga do País, comemorou no dia 18 de Julho, o seu centenário com uma cerimónia comemorativa. Do programa constou uma missa na Igreja do Senhor Jesus da Piedade, uma visita ao Museu da Fotografia, uma sessão solene no Auditório São Mateus e um almoço de confraternização na Quinta da Araúja. Do painel de oradores fizeram parte: S.A.R., Dom Duarte de Bragança, João Costa Pinto, Paulo Macedo, Francisco Bagulho, Nuno Mocinha, Carlos Courelas e Fernando Lopes. A crise, a persistência do Crédito Agrícola durante o século e o papel desenvolvido junto dos agricultores foram alguns dos temas discutidos no Auditório São Mateus.

Réplica do alvará do Rei Dom Manuel II

Fonte: Linhas de Elvas - Semanário

Vídeo: leonidasreal

Na Sua intervenção durante a sessão solene do Auditório S. Mateus, S.A.R., Dom Duarte destacou a presença pujante do Crédito Agrícola em Portugal.

domingo, 25 de julho de 2010

“HOJE O GRANDE VALOR É A DEMOCRACIA, E SÃO OS REIS OS SEUS GRANDES DEFENSORES”
Dom Duarte de Bragança, Herdeiro do trono de Portugal se os portugueses restaurassem a Monarquia, mostra-se sempre disponível para servir o seu país e espera que os cidadãos de Portugal, assim como todos os da União Europeia, meditem bem no que significa votar a favor ou contra uma Constituição Europeia. O Duque de Bragança é um homem simples, que transmite confiança. Lembra com carinho os anos em que aprendeu espanhol lendo o ABC com seu pai, e abriu as portas da sua residência, em Sintra, ao nosso jornal para analisar a situação política em Portugal.
Neste momento de confusão política que se vive em Portugal, qual é a análise que faz? - Assistimos a uma falta de equanimidade por parte de alguns meios da comunicação social. Não há nada na acção do governo que permita afirmar que não tem legitimidade quando tem o apoio da maioria do Parlamento. Actua como actuaram os anteriores, tem coisas boas e más. Os portugueses votaram uma maioria parlamentar que apoia um governo que teve de tomar medidas impopulares que devem ser tomadas. A democracia só funciona com liberdade de informação e hoje, em Portugal, essa liberdade corre o risco de ser indirectamente condicionada.
Sente-se cada vez mais o peso dos “lobbies” em Portugal? - Sim, aumentou muito. Quem paga o funcionamento dos partidos políticos? O dinheiro do estado não chega para tanto, no caso de uma campanha eleitoral para as legislativas, e também para as presidenciais é preciso muito dinheiro.
Acha que há um vazio na democracia portuguesa? - Em primeiro lugar, há um vazio de informação e, por consequência, de participação. Apenas as eleições municipais são mais participadas, porque as pessoas sabem em quem votam e preocupam-se em encontrar as melhores soluções.
Pensou intervir de algum modo na situação política? - Dou a minha opinião sobre assuntos que considero de grande importância para o país. Defendo os valores fundamentais dos portugueses, entre os quais incluo a independência nacional e a soberania do Estado Lusitano.
Como é a relação entre a Casa Real e a República? - Em termos gerais, é muito boa. Os presidentes da República convidam-nos e vice versa. Colaboro com os governos, em particular com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a quem informo acerca de visitas que faço a países com os quais Portugal tem relações distantes.
Já alguma vez pensou candidatar-se à presidência? - O presidente Ronald Reagan propôs-me essa ideia uma ocasião. Expliquei-lhe que essa hipótese seria vista pelos portugueses como uma contradição da honestidade intelectual. Se eu digo que o sistema monárquico é melhor do que o republicano, independentemente das qualidades pessoais do Presidente ou do Rei, e depois aceitar participar numa instituição republicana, estou a contradizer-me.
Em Portugal há um grande respeito pela Casa Real de Espanha... - É claro que sim. Em primeiro lugar, porque acompanhamos o Rei desde pequeno e depois, pela evolução da Espanha, que foi fantástica, tendo em conta os problemas que herdou do passado. A Espanha conseguiu prosperar e alcançar um extraordinário nível de desenvolvimento.
Sente ou pensa que é o pai do futuro Rei de Portugal? - Só Deus sabe quando haverá uma mudança. Os países têm vida longa, vida de séculos, e por vezes, de um momento para o outro, a cultura política muda, as necessidades do povo mudam e pode sentir-se a necessidade de ter um Rei. É preciso que a minha família esteja disponível e preparada para servir o país numa situação dessas, se os portugueses assim o entenderem. Tal como o esteve meu Pai, eu estou hoje ao serviço de Portugal. E isto inclui os republicanos, porque os reis servem melhor todos do que os presidentes. As monarquias defendem os chamados “valores republicanos” da sociedade, isto é, a democracia, a independência de poderes e os direitos humanos, muito melhor do que as repúblicas.
Como vê o caminho da Europa no século XXI?- Penso que o problema da Europa é a avançada do materialismo e o retrocesso dos valores espirituais, o que pode ter consequências políticas muito graves a longo prazo. Por exemplo, o vazio demográfico que está a pôr em causa a população europeia, assim perdendo a sua essência. Outro problema é o egoísmo colectivo, que causa tremendos desastres ambientais. Se não mudarmos estes comportamentos, os nossos netos herdarão um mundo muito difícil.
O que acha dos últimos casamentos de príncipes europeus? - Em todas as épocas a Monarquia foi moderna. Na Idade Média, os reis eram soldados, depois defenderam a ciência, a cultura, a arte... Hoje estamos numa época em que o grande valor é a democracia, e os reis são os seus grandes defensores. É por isso que os casamentos reflectem essa tendência. Um símbolo da época que vivemos.
Que pensa da Constituição Europeia? - Foi apresentada como uma iniciativa que deve ser apoiada por todos os bons europeus. É necessário perceber bem o que estamos a eleger, e ninguém o explica. O voto, na ignorância, não é válido.
O trabalho da Igreja na Europa está a ser respeitado? - Nos dias de hoje, atacar religiões não cristãs, como o Islão ou o Judaísmo, é considerado grave. Mas atacar o Cristianismo, e o Catolicismo em particular, é como a caça livre, não tem limites.
(ABC, Madrid, 2 de Fevereiro de 2005 - Entrevista conduzida pelo correspondente Belén Rodrigo.- Tradução de Fernanda Leitão)

sábado, 24 de julho de 2010

INTERVENÇÃO DE S.A.R., DOM DUARTE EM SERRALVES
Aceitei este honroso convite de um debate com o Sr. Prof. Arquitecto Souto Moura por considerar que, embora seja um leigo na matéria, sou um utilizador, um consumidor atento do trabalho dos arquitectos e urbanistas.
Lembro-me bem que, quando era criança, estranhava e lamentava o facto de as construções modernas nunca terem a beleza das antigas, e perguntava aos crescidos porque era assim?
Normalmente respondiam-me que tinha que ser assim porque hoje já não se sabia construir como dantes. Alguém disse-me até que desde que a república tomou conta de Portugal perdeu-se o sentido da harmonia, pois o importante era a revolução. Outros diziam que a harmonia era o reflexo da obra de Deus e agora Deus tinha sido expulso da nossa sociedade.
Com este tipo de influências na minha infância não admira que as tendências reaccionárias se tenham entranhado no meu subconsciente de então...
Mas com o passar dos anos e a adolescência, pus em causa muito do que me disseram na infância e procurei perceber a beleza da arquitectura moderna. E descobri que se tratava às vezes não era de construir casas mas sim belas esculturas que servissem também para lá viver e trabalhar. Ainda hoje fico deslumbrado com a perspectiva da avenida dos ministérios em Brasília e com a beleza dos seus palácios e da sua Catedral e da Igreja de D. Bosco! E sob essa perspectiva tenho que admirar muitas das obras dos nossos arquitectos contemporâneos portugueses...
Não tenho dúvidas de que a arquitectura, para além de ser uma técnica é sobretudo uma arte, e é sem duvida a única arte realmente importante para a nossa vida.
Ao contrário da pintura, da música, etc., as quais podemos escolher ou evitar se nos desagradam, nós não podemos fugir, não podemos evitar o resultado da obra dos arquitectos, que na verdade molda o futuro das comunidades humanas que lá vivem
Durante milénios a arquitectura foi fruto da cultura dos povos.
Quem construía eram artesãos que iam aprendendo com os seus mestres.
A extraordinária arte dos construtores de catedrais, castelos e palácios foi preservada e desenvolvida pelas Corporações de pedreiros livres cujos mestres ensinavam o que sabiam aos seus alunos e circulavam por toda a Europa.
Instituições semelhantes existiram em todas as grandes culturas do velho e do novo mundo, no Oriente e no Ocidente.
Como em outros aspectos da vida, a industrialização pôs em causa muitos dos valores das sociedades tradicionais.
No séc. XX vimos desaparecerem muitas culturas esmagadas pela globalização.
Felizmente assiste-se hoje a uma reacção, e pela primeira vez de há muito tempo, as elites culturais aceitam essa reacção como justa, em vez de insultar os seus militantes com epítetos tais como retrógrados, reaccionários, contra-revolucionários, etc.
Felizmente esta reacção é uma bandeira das esquerdas políticas, desiludidas com o marxismo e inseguras quanto ao significado do socialismo..
Os partidários da globalização encontram-se hoje entre os devotos da “religião” fundamentalista do progresso universal e entre os mais entusiastas apoiantes do capitalismo liberal e apátrida.
Estranhamente os intelectuais de esquerda em Portugal só não contestam ainda a globalização em matéria de arquitectura.
Será que esta atitude está relacionada com a origem ideológica do modernismo?
O movimento modernista faz parte da corrente ideológica socialista que pretende criar um homem novo cortando com as raízes culturais que transmitem todos os vícios e comportamentos do passado: religião, família, estrutura económica e forçosamente arquitectura.
O socialismo hoje é basicamente uma doutrina moral que pretende acabar com as injustiças sociais e lutar pela igualdade de direitos entre todos.
A vontade de despertar o proletariado para a luta de classes está na origem do urbanismo social do séc. XX.
Pela primeira vez na Europa a população das cidades foi dividida em bairros conforme a sua condição económica.
Os mais pobres vivem em “ghetos”, a burguesia remediada na cidade tradicional e os ricos vão viver para condomínios fechados.
Mas as consequências dessa lógica urbanística foram desastrosos para as suas vítimas...
Em toda a parte os chamados “bairros sociais” modernos são focos de infelicidade e produzem o comportamento marginal dos jovens e agravam as causas da pobreza.
Não só os regimes comunistas criaram a sua arquitectura simbólica, também os regimes fascistas o fizeram e até Portugal teve a sua arquitectura do «Estado Novo». Vários grandes arquitectos portugueses se entusiasmaram por essa tendência.
Em reacção surgiu entre nós o movimento liderado por Raul Lino.
Cito
um artigo do Professor Cornélio da Silva:
“O conhecimento que adquiriu dos edifícios portugueses mais exemplificadores da nossa arte de edificar, privilegiou-o face aos seus contemporâneos nacionais, formados numa arquitectura burguesa dominante de importação francesa. A voz nacional corrente no domínio da arquitectura não reconhecia os variados modelos do património formal, tanto erudito como vernacular. Limitava-se a opor uma tradição construtiva despojada de finais do sec. XVIII que ainda perdurava, denominada de “estilo pombalino.”
Raul Lino de posse de uma cultura estruturalmente sólida e europeia, completada também por uma apreciável formação musical, conseguiu ver mais longe e de forma idealizada os factores estruturantes e condicionantes da expressão cultural portuguesa pela sua actividade de arquitecto. Na verdade soube ver e ler em Portugal os ingredientes que mais tarde uma grupo de pensadores igualmente viriam a identificar sob outras análises, como base de uma vocacionada identidade biológica, geográfica, social e política denominada
Integralismo Lusitano.”
São a arquitectura e o urbanismo contemporâneos, na sua substancia comparáveis à complexidade dos resultados alcançados pelas outras épocas? É verdade que uma cidade inteiramente barroca não revela necessidade de uma presença gótica e que as cidades renascentistas dispensam os vestígios de outras épocas. Será que as criações recentes são detentoras da mesma capacidade?
Será que o movimento moderno, autoproclamado como expressão única da sua época, está à altura das suas ambições?
Será que a formidável criatividade mecanicista da era industrial encontrou realmente o seu equivalente, ao nível da arquitectura e do urbanismo?
Será que o urbanismo do séc. XX é apenas capaz de se revelar como um “suburbanismo” e este tornou-se como o próprio símbolo dos efeitos perversos de se “viver em sociedade” ?
Mas existirá realmente uma arte de criar e conceber as cidades de hoje ? Cidades capazes de nos atrair e seduzir, cidades que nós iríamos escolher para viver ? Existe, de facto, uma escolha em matéria de arquitectura?
Gostaria de citar o Arq. Léon Krier, que afirma:
“Existem actualmente, dois tipos de arquitectura. Uma pública, uniformizante, de estilo internacional, que pode ser interpretada como arrogante, mesmo provocadora; a outra privada, frequentemente baseada nos modelos regionais, procurando integrar-se de forma natural e harmoniosa nas diferentes paisagens.
A primeira é o produto da arquitectura oficial, das encomendas, e concursos “públicos” controlados: simbolizam-na em geral os grandes conjuntos, equipamentos e instituições (hospitais, escolas centros culturais, etc).
A segunda, resultante unicamente da promoção privada, inclui as habitações individuais e, mais recentemente, grandes conjuntos de lazer adaptados às regiões, seja isso na Virgínia, na Provence, na Nova Inglaterra, nas Bahamas, na Baviera, na Toscânia ou mesmo em Portugal.
Ora, perante esta realidade democrática maciça, os ideólogos, não se podem dar ao luxo de a ignorar, tomam uma distância denunciadora. Ao invés de investirem neste fenómeno da sociedade de maneira inteligente, de o civilizarem através da critica e da pedagogia, refugiam-se no desprezo.
No entanto nos países democráticos avançados a arquitectura de lazere do sector residencial não subsidiado é presentemente dominada por concepções que pertencem à arquitectura tradicional.
Os grades estaleiros urbanos de Richmond, Port Grimaud, Gassin Sea Side , Florence, Potsdam, etc., revelam que os grandes equipamentos modernos, ou seja, bairros inteiros derivados de uma arquitectura e urbanismo tradicionais podem ser realizados em prazos extremamente curtos, com capacidade de resposta às exigências da sociedade industrial desenvolvida. Aqui temos, talvez, as primeiras grandes realizações de uma modernidade serena e cívica, ou seja, não alienante, nem Kitsch, nem agressiva.
A liberdade de escolha, a liberdade de expressão e o respeito pelas leis constituem as virtudes principais da democracia política. Uma pluralidade de estilos de vida, de credos e, portanto, de estilos de arquitectura e de cidade constituem a expressão natural deste conceito. Não pode existir um único estilo “democrático”, assim como não poderá existir um “partido democrático único”.
É um erro atribuir a responsabilidade do aspecto caótico das nossas cidades e dos nossos campos ao pluralismo democrático. Ele, por si só, também não exprime de forma alguma o fundamento pacífico, organizado e convencional da sociedade civil e não facilita o seu desenvolvimento harmonioso.
As diferenças de opinião podem conduzir a um conflito ou solucionarem-se num debate civilizado. A pluralidade de visões urbanísticas e arquitectónicas ao invés de tender para uma desordem generalizada, pode ser canalizada a fim de produzir uma pluralidade de cidades e aldeias extremamente diferentes na sua estrutura, na sua arquitectura, na sua densidade; cada uma segundo a sua própria unidade e harmonia. A sua especificidade.
A exacerbação das diferenças, por um lado, e a confusão das diferenças, pelo outro, constituem os limites extremos da virtude democrática. Democracia é sinónimo de, acima de tudo, convívio de diferenças e o seu desenvolvimento num quadro de tolerância. A existência de partidos contrastados é largamente aceite como base constituinte da vida política. Os partidos políticos não se encaram mutuamente como inimigos mortais, mas como representantes que procuram a realização de projectos políticos, por vezes opostos, sem pôr em causa a sobrevivência do sistema político. Cabe o mérito à Revolução Americana, pelo facto de ter instituído a tolerância como fundamento do debate democrático. Tolerância não implica o abandono de certezas: pelo contrário ela oferece às variadas preposições políticas e, por extensão , às distintas e diferenciadas concepções de cidade e arquitectura, a sua oportunidade de realização de forma coerente, sem compromisso depreciador.
Neste final do séc. XX, o pluralismo arquitectónico parece revelar dezenas de anos de atraso em relação ao pluralismo político.
A própria configuração das cidades é uma questão de escolha e não de fatalidade; aqueles que pretendem o contrário optam por não reconhecer que o aspecto desordenado das nossas cidades não se deve a um “laisser-faire” desenfreado, mas à materialização duma ideologia errada de planificação. A crise das periferias constitui uma ilustração trágica disso.
O vazio teórico e prático criado durante 50 anos de dogmatismo devastou tanto os espíritos como as cidades. Ao nível da teoria da arquitectura, os novos dogmas da incerteza, da ironia, da desconstrução, da ruptura, da descontinuidade e do substituível opõem-se a todo o pensamento lógico e explícito.
Aristóteles afirmava que a democracia não constitui uma forma de governo ideal, mas que ela é, em todo o caso, preferível à tirania. É necessária uma grande pluralidade de arquitectos, comparável à imagem dos meios políticos que se toleram e organizam, para garantir a saída do actual caos das cidades e das mentalidades.
Se o desenvolvimento da democracia cultural parece mais lento do que o da democracia política, as suas manifestações concretas naquilo que se refere à arquitectura, tornaram-se de tal forma evidentes que é impossível ignorá-las.
Com efeito, pode-se afirmar que a diversidade na concepção da cidade e da arquitectura constituem um complemento e uma ilustração necessária à diversidade de expressões políticas.
A modernidade arquitectónica não pode ser um fenómeno unitário e indivisível, mas inclui manifestações contrárias, contraditórias, em todos os campos pluriformes.
A única certeza que podemos ter quanto à arquitectura futura é a de que o reino da democracia de partido único foi deposto.”
Este pluralismo incontornável não conduz necessariamente as cidades ao caos; ele contém o germe de uma liberdade de escolha fundamental.
Se a existência de grupos de pressão que procuram influenciar o processo de decisão em matéria de arquitectura e urbanismo é aceite como um facto, desconhece-se a existência de um grupo de acção cívica que procure influenciar o “design” de aviões, frigoríficos ou de cadeiras de dentista. A autoridade das profissões que cumprem as suas promessas não é contestada senão raramente.
Com efeito, a reivindicação de intervenção constitui uma declaração de desconfiança dirigida apenas ao modernismo, pois não existe um movimento de crítica, contestação e protesto contra a arquitectura tradicional. Os arquitectos atribuem a responsabilidade dos terríveis insucessos do pós-guerra ao facto de que teriam apenas influenciado uma ínfima parte da actividade de construção.
Aqui ignoram-se dois factos importantes: se os arquitectos tivessem controlado integralmente o mercado de construção – como era o caso na Ex-União Soviética e nas cidades novas -, os efeitos do modernismo teriam sido ainda mais graves; nas grandes culturas arquitectónicas do passado, a maior parte dos edifícios domésticos não era projectada por arquitectos, mas por mestres construtores seguindo os parâmetros do costume. A autoridade moral e artística dos arquitectos não era contestada pois os seus modelos eram imitados, tanto pelos ricos como pelos pobres.
A autoridade da arquitectura tradicional, que perdura nos países democráticos, não pode ser justificada pela ignorância popular, por uma imposição autocrática ou pela manipulação psicológica. É uma tendência profunda do mercado, que transcende as flutuações dos gostos e das modas.
As culturas tradicionais desconhecem, tal como paradoxalmente é o caso nas democracias actuais, esse fosso intransponível entre cultura de elite e cultura comum.
Os gostos diferem em qualidade e refinamento, mas não na substância ou na forma. Não constitui uma ironia o facto de, em democracia, o gosto popular se encontrar mais próximo dos ideais formais, aristocráticos, do que certas modas artísticas liberais?
Um dos caso de sucesso da arquitectura contemporânea é o museu Guggenheim em Bilbao, e até é conhecida a expressão “Efeito Bilbao”, como exemplo da reanimação cultural e económica de uma cidade histórica.
Mas a verdadeira história não é conhecida...
A Câmara Municipal queria construir o museu numa zona histórica, mas o arquitecto Gehry recusou-se a alterar o perfil do “casco viejo” e escolheu uma zona suficientemente afastada da área histórica (onde aliás os edifícios novos são obrigados a seguir a arquitectura tradicional do bairro).
Ele escolheu uma zona sem “memórias históricas” pré-existentes, demonstrando um respeito pelo passado que em Portugal nem sempre é praticado pelos responsáveis autárquicos.
Hoje as visitas ao museu diminuíram muito, pois o que as atraía era a curiosidade pelo objecto raro, não o seu conteúdo; mas Bilbao melhorou globalmente devido a muitos outros projectos: saneamento do rio, um excelente metropolitano, centro de exposições uma exemplar obra de restauro dos bairros históricos.
É sabido que 80% dos turistas na Europa querem visitar cidades e bairros históricos.
Se o dinheiro gasto na Expo ou no C.C. de Belém tivesse sido investido, em parte, no restauro de Alfama, o impacto económico teria sido muito mais positivo.
Em Portugal os técnicos do IPPAR têm trabalhado com entusiasmo e dedicação no restauro dos nossos monumentos mas seguindo o critério de intervenções por vezes muito chocantes.
Defendem que “o contraste fica bem”.
Se alguém realiza uma viagem longa para visitar um castelo medieval, está interessado em sentir-se na Idade Média e não em ver as intervenções contemporâneas.
Bem sei que o IPPAR apoia-se na “Carta de Veneza”, criada em 1964 para dar uma base coerente e contemporânea à conservação e restauro dos monumentos antigos. Ela é para os monumentos antigos aquilo que a Carta de Atenas foi para o urbanismo, em 1931: um manifesto modernista.
Ela conseguiu de tal forma modificar as atitudes, que os seus princípios são hoje aceites como dogmas entre os especialistas, que não parecem questionar os resultados obtidos.
Em resumo: a Carta de Veneza diz que o restauro deve ser excepcional e que a consolidação de um monumento pode ser assegurada fazendo apelo a todas as técnicas modernas.
Artº 11 : a unidade de estilo não constitui um objectivo a atingir durante o curso de um restauro.
Artº 12 : Os elementos destinados a substituir as partes que faltam devem-se integrar harmoniosamente no conjunto, distinguindo-se das partes originais, a fim de que o restauro não falsifique os documentos da arte e da História.
Infelizmente, os resultados destas regras têm levado a que os restauros se tornaram num instrumento de conservação de ruínas e bocados e não das belas obras de arquitectura que se deveriam proteger.
Todos os edifícios precisam de restauros, e o facto de um monumento ou um simples moinho, ter sido negligenciado e caído em ruínas, não deveria impedir que fosse restaurado na sua plenitude original.
O Artº 15 diz: “todo o trabalho de reconstrução deverá ser excluído a priori. Os elementos de integração serão sempre reconhecíveis...
Ora para uma obra manter o seu carácter próprio e a sua unidade é necessário usar o mesmo tipo de materiais e técnicas que se usou na sua construção original.
De resto, quando se trata de restaurar edifícios modernistas, o critério é o de absoluta fidelidade ao desenho original...
Porque será que só os monumentos modernistas é que merecem este respeito ? Será por preconceito ideológico ou de classe ?
A Carta de Veneza transforma os trabalhos de restauro em actos de violação obrigatória, no caso dos edifícios pré-modernistas.
Parece-me tão absurdo como querer restaurar um quadro ou um móvel renascentista ou medieval, usando alumínios e plásticos, para “marcar a nossa época”.
É isto que estão a fazer aos nossos castelos e mosteiros.
Em vez de restauros temos “intervenções” que alteram o carácter do monumento.
E o prazer dos visitantes, que é o de fazer uma “viagem no tempo” é destruído em benefício da satisfação intelectual e do “ego “ dos técnicos e especialistas.
Em Castelo Rodrigo ouvi a revolta da população e dos autarcas perante as obras lá realizadas . Acusavam os técnicos de serem ditadores. Comentei isso com um jornalista local e, sem querer , provoquei grande descontentamento na direcção do IPPAR, expressa numa carta assinada por todos os responsáveis.
Espero que estas minhas afirmações de hoje sejam aceites como uma divergência de critérios e não como uma agressão a uma instituição cujos membros muito admiro e aprecio e que tem feito também muito de bom.
Em geral, as populações e os visitantes ficam chocados com estas experiências. O caso dos dois edifícios em forma de paralelepípedos que construíram dentro das muralhas de Sagres causou grande polémica internacional.
Outras agressões do mesmo género passam despercebidas.
Pergunto: será legítimo, em Democracia, alterar os nossos monumentos à revelia dos seus utilizadores e verdadeiros proprietários? Em países verdadeiramente democráticos os casos mais polémicos são geralmente resolvidos com recurso a referendos regionais; esta seria uma boa solução para o nosso caso, desde que ambas as partes pudessem expor as suas razões com o mesmo “tempo de antena “...
Mesmo em vilas impecavelmente preservadas, onde aos habitantes se exigem grandes sacrifícios para não alterar a traça das suas casas, o Estado permite-se alterar completamente a traça da localidade construindo uma pousada, uma escola, uma Câmara Municipal completamente desintegrados !
Nem vale a pena citar exemplos ... mas a nova torre em frente à Sé do Porto ou a fortaleza marroquina em frente aos Jerónimos são emblemáticos desta mentalidade , que considera que a nossa geração tem o direito de destruir a harmonia e as perspectivas dos monumentos e paisagens que fazem parte do nosso imaginário colectivo.
Espero que este encontro, que se deve à disponibilidade, que agradeço, do Sr. Prof. Souto Moura e da Sra Arquitecta Helena Roseta em dialogar com alguém que não pertence à profissão, e ao espírito de abertura e criatividade da Fundação Serralves, sirva para começar um diálogo entre os vários responsáveis e intervenientes pela arquitectura, urbanismo e restauro em Portugal, criando um confronto criativo entre as duas tendências que em todo o mundo dividem os responsáveis pelo sector.
Dom Duarte de Bragança
(Palavras proferidas por S.A.R., Dom Duarte no dia 22 de Maio de 2003 no início de um debate na Fundação Serralves, no Porto, com o Prof. Arq. Souto Moura)
É HORA
Chega! Basta! Portugal arruína-se a si próprio a cada minuto que passa! Diria até que está a hipotecar o seu futuro mas já não o posso dizer. E não o posso dizer porque o futuro de Portugal JÁ está hipotecado!
Perante isto os monárquicos, de formas mais ou menos veementes vêm alertando e apresentando soluções. Perante isto o que faz o povo português (na sua generalidade)? Surpreendentemente (ou talvez não) ignora pura e simplesmente tais avisos e soluções, resultado de um preconceito patético acerca da Monarquia e de uma inveja mesquinha. Sabem o que é a Monarquia? Sabem o que significa essa forma de regime? A maioria não saberá e sentem-se felizes por isso. Não obstante, criticam. Não sabem o que criticam, mas criticam! É hora de dizer BASTA! Enquanto ficam presos no seu próprio mundinho, alheados da realidade, presos a convenções que nunca ousaram questionar, o seu país é alvo de constantes saques! O povo português tudo ouve, tudo vê, tudo lê mas diz que nada ouviu, leu ou viu! Olhando para o lado, inevitavelmente nada faz excepto criticar sem apresentar soluções! Ah, na crítica é mestre! Mas e na hora H? Pior ainda: desdenham e tentam ridicularizar os monárquicos, que já por várias vezes mostraram saber o caminho que Portugal deve seguir a bem da sua salvação. Apresentam-se soluções de 1001 maneiras e nada serve? O problema de Portugal não é problema do vizinho do lado. O problema de Portugal é de todos os portugueses. Julgam porventura que alguém vai fazer o vosso trabalho na defesa dos interesses nacionais? Julgam que se não lutarem por vocês alguém mais lutará? Recuso-me a aceitar que um povo que outrora fez tão grande obra esteja agora reduzido a um conjunto de pessoas apáticas. Este não é o povo cuja história eu estudei! Este não é o povo com o qual me identifico! O verdadeiro português, e com o qual me identifico, é pacífico mas sabe ser guerreiro quando vê a sua terra e os seus ameaçados. O povo português verdadeiro vai à luta e mesmo contra todas as probabilidades, ganha!
Mas como é possível? O ordenado mínimo é uma miséria e nada questionam? O desemprego aumenta e ninguém questiona verdadeiramente porquê? Consequência do aumento do desemprego o número de subsídios aumenta e ninguém pergunta donde vem esse dinheiro. Depois ainda duvidam que a Segurança Social esteja em risco de colapso? Aumentam-se os impostos, não se diminuem as despesas e ficam calados? Repetem-se os escândalos e nada dizem? Fala-se que a natalidade está em declínio mas tomam-se medidas que ainda aumentam mais esse declínio? Que futuro nos espera? Percebem, porventura, a gravidade da situação? Que povo apático é este em que os Portugueses se transformaram? A história já não vos reconhece! A história e os nossos fundadores têm vergonha daquilo em que vos tornastes.
Deixem-se de comodismo. Os monárquicos têm respostas às vossas perguntas! Informem-se porque vão encontrar monárquicos dispostos a responder de uma forma clara e simples a todas as vossas dúvidas. Não se detenham pelas aparências porque essas iludem e muito. Ouçam, leiam, informem-se, ousem questionar!
Os tempos são diferentes. Não há mais Mundo a descobrir. Já não se ambiciona chegar à Índia por mar. Mas há muito mais para fazer. Há muito mais coisas em que Portugal pode ter um papel mais que importante: decisivo. Portugal (ainda) é conhecido pela sua hospitalidade e pelo seu calor humano. Portugal, apesar de remetido territorialmente para uma pequena faixa de terra à beira da Europa, tem uma natural vocação para se dar e servir de ponte (seja cultural, comercial ou de qualquer outro género). Portugal tem uma afamada gastronomia (sim, há algum motivo para não se falar nisso? Há algum motivo para se envergonhar nisso?). Os Portugueses são conhecidos por esse Mundo fora pela sua capacidade empreendedora e pelo seu empenho. Portugal tem Monumentos fantásticos e uma história riquíssima. Os produtos portugueses são conhecidos internacionalmente pela sua qualidade excepcional. Portugal tem cientistas com capacidades para fazer descobertas científicas de alta relevância. Portugal e os Portugueses AINDA têm muito a dar.
Não somos profetas da desgraça mas não nos deixamos iludir e temos os pés bem assentes na terra e sabemos que, a menos que alguma coisa séria e profunda seja feita rapidamente, Portugal e os portugueses poderão perder mais do que imaginam. Possivelmente coisas que tomaram por garantidas nos últimos séculos. É hora de acordarem. Só a Monarquia pode trazer a desejada mudança; uma mudança verdadeira e eficaz, que nos traga de novo a confiança e a esperança num futuro risonho. Tem-se uma Casa Real, chefiada por D.Duarte, que já mostrou ter consciência dos verdadeiros desafios que Portugal enfrenta e dos caminhos que Portugal deve traçar, a bem do país. A Casa Real, apesar de não reinante, por várias vezes mostrou a sua capacidade de projectar Portugal no futuro, ao contrário das visões curtas que se têm actualmente! A Casa Real provou e continua a provar que é capaz de ser uma verdadeira força independente, orientadora desta terra que se encontra perdida.
Portugueses e Portuguesas, a escolha é vossa: podem continuar presos a preconceitos e a utopias que por 100 anos vos impingiram e que só vos trouxeram dissabores ou podem ter a humildade de reconhecer o valor da nossa Casa Real e do regime monárquico e ter um Portugal renascido.
Os monárquicos sabem que Portugal precisa urgentemente de um Rei! E vocês?
Fonte: Portugal Futuro

sexta-feira, 23 de julho de 2010

COMEMORAR UMA IMPOSIÇÃO AOS PORTUGUESES Jornal "O Diabo" de 20-07-2010
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