sexta-feira, 23 de julho de 2010

ENTREVISTA A S.A.R., DOM DUARTE DE BRAGANÇA POR TERESA CASTRO D'AIRE
Senhor Dom Duarte, diga-me por favor o seu nome completo, de quem é filho, onde nas­ceu, e quando?
Chamo-me Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança. Nasci em Berna, na Suíça, nas instalações da Legação Portuguesa, no dia 15 de Maio de 1945. O meu pai chamava-se Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Fran­cisco Xavier Raimundo Antônio de Bragança, e a minha mãe chamava-se Maria Francisca de Orleães e Bragança. Para além de vários outros títulos, sou também o actual Duque de Bragança e o represen­tante da Casa Real Portuguesa.
Senhor Dom Duarte, quem foi o primeiro Duque de Bragança?
O primeiro Duque de Bragança foi Dom Afonso, oitavo Conde de Barcelos, filho do Rei Dom João I e de uma senhora de nome Inês Pires Es-teves. Dom João I casou-o com Dona Beatriz Perei­ra Alvim, filha do Condestável Dom Nuno Álvares Pereira, e fê-lo primeiro Duque de Bragança. Foi essa mesma linha sucessória que subiu ao trono em 1640, com Dom João IV.
O Senhor Dom Duarte é simultaneamente descendente de Dom Pedro IV e de Dom Miguel. Para qual dos dois vai a sua simpatia pessoal?
Descendo, com efeito, quer de Dom Pedro IV quer de Dom Miguel I. A minha mãe era uma princesa brasileira, descendente de Dom Pedro I Imperador do Brasil (IV de Portugal), e o meu pai era neto do Rei Dom Miguel I de Portugal. Admiro a coragem com que ambos os monarcas enfrentaram momentos particularmente difíceis, tanto da vida da Nação como da cena internacional. O pri­meiro encarnou a legitimidade revolucionária e o segundo a legitimidade tradicional.
Senhor Dom Duarte, que estudos é que fez, e quais são as suas principais actividades?
Os meus estudos estiveram ligados a uma vocação que senti desde muito novo, para o estudo da agricultura. Penso que é um sector muito im­portante, porque uma nação mal alimentada está automaticamente condenada ao fracasso em todas as áreas. Foi este interesse pela agricultura, um inte­resse por um lado científico e por outro lado social, que me levou a freqüentar vários cursos, entre os quais o curso do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade Técnica de Lisboa, o curso do Instituto para o Desenvolvimento, na Universidade de Genève, e vários outros dentro das mesmas áreas. Foram experiências muito enriquecedoras para mim.
O Senhor Dom Duarte trabalha, como toda a gente. É assim?
Não sei o que significa «trabalhar como toda a gente». Trabalho com empenhamento nas causas que abraço e, ao contrário de muita gente, sou gestor do meu próprio tempo. Tenho, como sabe, para além das minhas iniciativas de caracter político, centradas na defesa dos valores perma­nentes de Portugal, actividades culturais várias. Presido em Portugal à Fundação Dom Manuel II, e nos Estados Unidos à Portuguese Heritage Foundation, que dá apoio aos nossos emigrantes. Presido a inúmeras Associações Portuguesas de índole cultural, para além das minhas actividades sociais, nomeadamente em defesa dos direitos humanos.
Senhor Dom Duarte, quais são as suas principais áreas de interesse cultural?
Interessa-me muito a defesa e a valorização do patrimônio cultural nas suas várias vertentes, in­cluindo a ambiental, e o pensamento português não só na área estritamente cultural como também na social, que também faz parte do nosso patri­mónio.
E os seus hobbies?
É-me difícil responder. Bem… a leitura é tal­vez o meu hobby preferido.
O Senhor Dom Duarte serviu Portugal na qualidade de oficial do Exército Português duran­te a Guerra Colonial. Os Portugueses sabem que o Senhor Dom Duarte é um pacifista por convicção, que acredita em soluções diplomáticas de prefe­ rência às soluções bélicas. Como é que se sentiu enquanto militar?
É verdade, fui piloto aviador, ainda hoje sou capitão na reserva. Mas respondendo à sua pergun­ta, eu não sou pacifista nem belicista. Sou pacífico e acredito que a paz é de tal maneira importante para todos os povos que, para a manter ou para a conquistar, é necessário fazer uso de todos os meios legítimos ao nosso alcance, diplomáticos e outros. Reconheço que em determinadas situações, quando se esgotam as vias pacíficas para a resolução dos conflitos, pode ser necessário usar da força, mas isto apenas como último recurso. Como militar acom­panharam-me dois sentimentos: por um lado sentia o dever de bem cumprir as minhas obrigações para com a Pátria, e por outro lado sentia-me frustrado, diria mesmo desanimado, com a política que, em meu entender, não satisfazia nem os interesses das populações locais nem os de Portugal como um todo.
Sendo quem é, como é que se sentiu como militar ao serviço de uma República?
Eu e os meus companheiros de armas não nos sentíamos minimamente ao serviço da Repúbli­ca, mas sim ao serviço de Portugal. Os interesses de Portugal são sobejamente mais importantes do que os da República. Penso que todos os que se bateram em África, arriscando a vida, e perdendo-a muitos deles, não o fizeram senão a pensar na Pátria.
O Senhor Dom Duarte considera-se um conservador austero, por exemplo em relação a questões ligadas à moral tradicional, ou a sua ten­dência natural é mais para o humanismo e para a tolerância?
Sou efectivamente humanista, e defendo a tolerância. Acredito, por outro lado, que não se deve fazer tábua rasa dos ensinamentos do passado, onde encontramos altos exemplos de humanismo e de tolerância, e que devemos aproveitar esses ensi­namentos que nos são trazidos pela tradição que, como sabe, significa transmissão. Não estou muito de acordo com a maneira como formulou a per­gunta. Embora eu não seja um conservador, porque entendo que tudo aquilo que não se prende com os valores fundamentais é mutável, de preferência, como já disse, tendo presentes os ensinamentos da experiência passada, mas verifico que há conserva­dores que são humanistas e praticam a tolerância, e há não conservadores que pelas suas idéias revolu­cionárias ou por um progressivo abandono de valo­res essenciais não são humanistas e praticam a intolerância.
Se o Senhor Dom Duarte, por hipótese, fosse aclamado rei por vontade popular, aceitaria o trono?
Tenho repetidas vezes afirmado a minha dis­posição para servir Portugal, o que aliás tenho feito ao longo de toda a minha vida, e de continuar a servir Portugal se necessário como Rei. Mas também tenho sempre insistido noutro ponto: é que só aceitarei a chefia do Estado se ela resultar da vonta­de popular livremente expressa. Como sabe, de acordo com a tradição e as leis da Monarquia Portuguesa, um Príncipe só passa a ser Rei depois de aclamado pelas Cortes, isto é, o Parlamento, ou seja, pelos representantes do povo português.
Senhor Dom Duarte, há quem diga que a aristocracia morreu com Luís XVI no cadafalso. Acha que é verdade?
Bom… há muitas vezes uma confusão entre aristocracia e nobreza. A primeira, como sabe, é etimologicamente o governo dos melhores. Mas o tempo e os homens estabeleceram a confusão. No tempo de Luís XVI não se vivia em aristocracia mas em Monarquia. Era uma Monarquia típica do sécu­lo XVIII, em que a nobreza tinha um papel mais importante no campo social do que no campo polí­tico. É certo que a intolerância e o fanatismo dos revolucionários franceses de 1789 e dos anos seguintes levou ao cadafalso não só o rei Luís XVI como também muitos nobres, membros do Clero e mesmo do Povo que, ou se tinham oposto à Revo­lução, ou simplesmente a ela não tinham aderido como «adesivos». Lembro-lhe, a propósito, que em 1989, em res­posta aos vários inquéritos que em Franca se fizeram, por ocasião do bicentenário da Revolução, a maior parte dos inquiridos considerou Luís XVI, e os muitos que com ele morreram na guilhotina, inocentes dos crimes que a demagogia revolucionária lhes atribuiu. O nobre é aquele que foi reconhecido como notável pela Coroa, ou seja, numa Monarquia, o pró­prio Estado, isto em razão dos serviços prestados ao país. Nobre é também aquele que dele descende. Mas independentemente do reconhecimento por parte do Estado com a atribuição de um título, a verdadeira nobreza reside na atitude moral de serviço à comuni­dade. Por esta razão, penso que a nobreza não morreu com Luís XVI.
O Senhor Dom Duarte acredita que Portugal teria vantagens em regressar a uma monarquia?
Sem dúvida. Bem vê, só numa Monarquia é que a chefia do Estado é verdadeiramente independente. Como sabe, as primeiras chefias eram electi-vas. Os povos escolhiam entre si aquele que entendiam que melhor poderia governá-los e re­presentá-los. A este modelo político primitivo seguiu–se o da chefia hereditária. Concluíra-se que através da hereditariedade da chefia se evitavam divisões e disputas muito desgastantes que enfraqueciam o Poder e a comunidade política. Assim, os países mais antigos tiveram tempo para evoluir para a Monarquia, para uma chefia de Estado hereditária. A Monarquia, como instituição antiga (mas nunca velha!), foi-se adaptando aos tempos, realçando-se com os séculos a independência do rei face aos gru­pos, às facções e aos interesses particulares. Na Monarquia moderna o Rei reina mas não governa. O governo é exercido por aqueles que ganham as eleições. O Rei, como instituição independente, isto é, não resultante da disputa entre grupos, não resul­tante da vitória de uma parte da nação contra outras, mas aclamado por todas as partes, represen­tadas no Parlamento, está obviamente em melhores condições do que um presidente para arbitrar con­flitos, exercer a moderação e representar toda a nação. Mas sendo a Monarquia um modelo aperfei­çoado da chefia do Estado, ao qual se chegou depois de muita experiência, não está evidentemen­te ao alcance próximo dos novos Estados, que cons­tituem a maioria. A Monarquia é o trunfo das nações antigas. Os novos Estados não conseguem ter senão a República e todos nós sabemos que por muito íntegro que seja um presidente da República, nunca se livra da suspeita, o que é muito mau em termos institucionais, de favorecer o grupo político que o elegeu, ou as empresas que, por razões incon-fessadas, financiaram a sua campanha eleitoral. Também por esta razão, e por ser o representante do grupo vencedor, dificilmente é aceite o seu papel de árbitro. Portugal é um país antigo, com uma larga expe­riência das instituições políticas. Sucumbiu, em 1910, como algumas outras nações antigas, à tenta­ção de imitar modelos ultrapassados que vestiam roupagens novas, deixando por inércia que um partido republicano, que não representava mais de sete por cento do eleitorado nacional, se impusesse através de um golpe revolucionário. A actual Constituição da República impõe-lhe uma vexatória cláusula, a alínea b) do artigo 288°, que impede o povo soberano de mudar para a Monarquia, ainda que o queira. Mas penso que para bem do país, do nosso futuro colectivo, o povo português deverá ponderar tudo isso e fazer as opções que mais lhe convierem. A Monarquia, não sendo uma forma perfeita de chefia do Estado, nem, como vimos, uma receita universal, é, a meu ver, pelas razões expostas, a ins­tituição política mais aperfeiçoada e que melhor pode servir os interesses de Portugal.
Se assim acontecesse, quais seriam as prin­cipais directivas do seu reinado?
Como já expliquei, o Rei reina mas não governa. Assim sendo, na hipótese de vir a ser aclamado Rei pelos representantes do povo, procuraria usar de toda a minha influência para assegurar a defesa dos valores permanentes de Portugal.
Quais são, para si, os problemas mais ur­gentes a resolver em Portugal?
É difícil de responder. Em todo o caso, julgo que a agricultura é certamente um dos sectores mais carenciados e desorientados. Há que apoiá-la com urgência. Também a formação escolar e profissional e a orientação em termos de colocação no mercado de trabalho me parece de abordagem urgente.
Os media noticiaram que estaria para breve o nascimento do Herdeiro da Casa de Bragança, e os monárquicos portugueses rejubilam. O Senhor Dom Duarte pensa educar essa criança de forma a que um dia, se as circunstâncias o aconselharem, possa assumir a Coroa portuguesa?
Penso educar o meu filho para ser bom por­tuguês. Foi este, aliás, o melhor ensinamento que recebi dos meus pais. Procurarei familiarizá-lo com as realidades do país e prepará-lo para a defesa dos nossos valores permanentes.
Senhor Dom Duarte, o Senhor pensa que um nobre que não tenha meios de fortuna para fazer brilhar o seu título, deve prescindir dele?
Como já deixei dito, a verdadeira nobreza reside na atitude moral de serviço perante a comu­nidade e perante o país. Assim, aquele que descen­de de um notável, seja titular ou não, deve manter uma atitude de serviço que honre a dignidade que foi conferida aos seus avós. O brilho financeiro pouca importância tem afinal.
Existe algum Rei na nossa História que seja para si um modelo a seguir?
A época e as circunstâncias em que reinaram os Reis de Portugal eram muito diferentes das nos­sas. Penso, todavia, que todos deram exemplos de patriotismo e continuam a dar-nos um modelo de actuação: o de servir empenhadamente Portugal.
A Nobrega Portuguesa de Teresa Castro d’Aire, 1996

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CARTA A UM JOVEM AMIGO SOBRE A LIBERDADE E O REI
Caro Amigo
Não nasci numa família tradicionalmente monárquica, não tive uma formação política monárquica, li na biblioteca da casa dos meus pais tanto as biografias dos Reis D.Carlos e D. Manuel II, de Rocha Martins, como a História da República, de Lopes de Oliveira, sabia que o meu pai era um republicano que fora monárquico na sua juventude e que a minha mãe era simpatizante monárquica, apesar do meu avô ter sido um republicano idealista que se desiludiu cedo com o regime. A verdadeira formação política que tive foi para a liberdade e foi usando dessa liberdade que me foi inculcada desde criança que, cinquenta anos após a implantação da república, me fiz monárquico e aderi à Causa Monárquica como afirmação dessa liberdade.
Fiz um percurso de militância, prossegui um percurso de reforço da formação política com os doutrinadores integralistas, mas fui sempre questionando as suas proposições quanto à liberdade: apesar de ter sido com eles que aprendi que Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt (Nós somos livres, nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram).
O contacto com monárquicos que não se reviam na doutrina integralista, com a leitura de autores, portugueses e estrangeiros, que defendiam o liberalismo monárquico, a aprendizagem da História do século XIX, levou-me a outras conclusões e a outras escolhas. Mas sempre me marcou esse “grito de Almacave”: Nós somos livres e o nosso Rei é livre.
Olhando estes cem anos o que continuo a ver, a par de outros erros, é a falta de liberdade que tem perpassado pela sua história: a repressão contra os monárquicos e os católicos, a repressão da imprensa adversa do poder constituído em cada momento, o assassínio político, as revoluções como forma de alternância política na I República, a censura, a prisão, a tortura de oposicionistas ao regime na II República, as tentativas de controlar a imprensa e as vozes públicas discordantes e incomodativas para o Poder nesta III República onde, apesar disso, a liberdade existe e muitos dos excessos das anteriores foram banidos, vivendo-se numa Democracia, embora imperfeita e a necessitar de ser reformada em nome das liberdades dos cidadãos, asfixiados pela partidocracia e pela plutocracia. Comum a todas as as repúblicas, vejo também a falta de liberdade dos Presidentes, eleitos por sufrágio directo com o apoio de um ou mais partidos ou escolhidos pelos directórios partidários e eleitos por maioria por colégios eleitorais, mas todos reféns de uma ideologia e de formações políticas a que estão ligados, representantes de uma facção e não todos os cidadãos do país, parte da luta pelo Poder de uns contra os outros, presos a compromissos políticos e económicos assumidos no apoio às suas candidaturas.
Estou certo, caro amigo, que porque nasceste já num regime Democrático, nunca pensaste que no topo edifício político do Estado, que há trinta e cinco anos foi erguido sob a bandeira da liberdade, está alguém que o representa e chefia que não é livre. E o Chefe do Estado tem de ser livre, como gerador e garantia da nossa liberdade.
Por isso, e em nome dela, te convido a fazer a escolha da liberdade ao querer e lutar pelo regresso do Rei, livre de todas as pressões políticas e económicas, de todas as ideologias, acima das facções, comprometido apenas com nação que fomos, somos e seremos. Para que também tu possas dizer como eu, “Nós somos livres, o nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram”.
Um abraço amigo
João Mattos e Silva
Diário Digital (19-Jul-2010)
http://www.monarquia-online.co.pt/

quarta-feira, 21 de julho de 2010

AVISO
Em virtude da Secretaria estar fechada durante o mês de Agosto não serão processadas e remetidas as compras efectuadas na loja online durante esse período. Pelo facto, pedimos a compreensão de todos os visitantes, deixando a promessa que a partir de 1 de Setembro estaremos de volta.
REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA
NOTAS SOBRE AS VIAGENS DO DUQUE DE BRAGANÇA A LONDRES, PARIS E ROMA EM 1935-1936 (Clique nas imagens para ampliar)
Fonte: www.monarquiaportuguesa.com

terça-feira, 20 de julho de 2010

CONVERSAS COM O DUQUE DE BRAGANÇA
É possível a Restauração de uma Monarquia em Portugal?
- Penso que é possível. Que seria desejável para o país. Digo-o em termos plenamente objectivos. Também sobre esta matéria gostaria de fazer algumas observações. Em primeiro lugar, acreditando, como acredito, nas vantagens para uma comunidade nacional para a estrutura do Estado (no que respeita, designadamente, à sua simplificação e transparência) que resultariam da restauração da Monarquia, não tenho dúvida nenhuma que ela seria um bem para o país. Mas também, de tudo quanto já disse resulta com clareza que me é completamente estranha a ideia de qualquer restauração que não fosse pela via democrática. Só uma restauração desejada pelo povo e consagrada constitucionalmente pela deliberação dos seus representantes é concebível.»
Mas a minha pergunta visava muito concrectamente a possibilidade de a Monarquia ser restaurada.
- Acho que muitos portugueses são vísceralmente monárquicos. Muitíssimos. Mesmo sem o terem formulado! Gostam da continuidade e gostam de ver no presidente da república aquilo que no fundo gostariam de ver num Rei. Foram mais amados os Presidentes do “tipo régio”, que conseguiram encarnar de alguma forma uma figura nacionalmente simbólica, do que “os presidentes burocratas” que passaram apenas cortando fitas e assinando promulgações... Atrevo-me a pensar que se não houvesse um impedimento constitucional, os doiS últimos presidentes (pessoas completamente diferentes aliás!), poderiam ter sido reeleitos quase indefinidamente! Talvez até ao fim das suas vidas! Quer um quer outro conseguiram uma ligação ao povo que teve muito de monárquico, que muito se relaciona com a resposta à necessidade do homem da rua de ver, na chefia do estado, um símbolo que não é apenas (o que também é perfeitamente indispensável, como é evidente, mas noutro plano!), - o “Chefe da Administração Pública”.
Os portugueses sentem a diferença entre um chefe de estado e um chefe de governo. E de um chefe de estado eleito esperam que se eleve, tanto quanto lhe seja possível, acima de facções e de partidos! Posição que um Rei tem por natureza! Considero sintomático que os dois presidentes referidos tenham conhecido as suas menores “quotas” de popularidade e de “aprovação pública”, justamente nas épocas em que os cidadãos pensaram que se estavam a aproximar de posições politico-partidárias e a afastar de uma rigorosa posição supra-partidária! Acho que tiveram menos apoio... quando se afastaram de uma posição “régia”...
Mas mesmo admitindo uma tendência monárquica do povo português acha que o mesmo se pode dizer dos partidos?
- Há monárquicos nos partidos. Mas também neles há muitas pessoas para as quais a questão “monarquia-república” está ultrapassada e que não se apercebem claramente das grandes vantagens da Monarquia. E há ainda outro factor anti-monárquico: a circunstância de em todos os grandes partidos haver sempre alguns ”barões” que aspiram a chefia do estado como topo de uma carreira. E esses não gostariam de ver o lugar ocupado por um Rei... e colocado fora das batalhas eleitorais!
Excertos do livro “ O Passado de Portugal no seu Futuro”, de Manuela Gonzaga.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CASAMENTO EM ELVAS COM A PRESENÇA DE SS.AA.RR., OS DUQUES DE BRAGANÇA Fotos: Caras
O actor Ricardo Pereira e a empresária Francisca Pinto Ribeiro casaram-se, no sábado, 17 de Julho, na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, antiga Sé de Elvas e contou com 400 convidados. Após o casamento, o copo-d’água decorreu na quinta do pai de Francisca, a Herdade Almeida Velha, que este comprou há 10 anos para reconstruir. O dia especial foi partilhado por muitas caras conhecidas, e convidados ilustres, entre os quais, SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança.

Fotos: Vidas/Correio da Manhã e Tudoben.com/Portal do Alentejo

domingo, 18 de julho de 2010

DOM DUARTE DE BRAGANÇA, O REI QUE NÃO TEMOS
Dom Duarte é um homem simples, apegado à Natureza e a uma vida tranquila, sem espalhafato. As portas da bela casa da Rua do Campo, em Sintra, abriram-se-nos afavelmente. Numa enorme sala em que ardia o fogo acolhedor de uma lareira. Dom Duarte, Duque de Bragança, o sucessor dos Reis de Portugal, recebeu-nos com toda a cordialidade. A sua presença é extremamente agradável. É alto, aloirado, risonho, e fala com enorme facilidade. Sente-se nele, um defensor da liberdade. Por ela, com efeito, tem lutado, em todas as situações da sua vida. É formado em Agronomia, foi oficial piloto-aviador em Angola, e lá, tentou formar uma lista de candidatos independentes à Assembleia Nacional, tendo por essa razão sido expulso desse território, pela PIDE-DGS.
Para iniciar a entrevista que nos concedeu, perguntámos a Sua Alteza qual a sensação que lhe produz a difícil transição que o nosso pais atravessa.
- Estou convencido que todo o Ocidente está em face de uma mudança que pode ser brutal ou muito suave. Pode acontecer que haja uma guerra noi próximos anos e, neste caso, a Europa não tem condições de defesa. Se isso viesse a acontecer, Portugal ficaria bastante isolado, teria que suprir-se a si próprio, e passaria-mós obviamente muito mal. Deveria, preparar-se o pais para ele poder sobreviver isoladamente. Isto è certamente mais importante do que a entrada para o Mercado Comum ou outras organizações internacionais, que tem as suas vantagens mas não é tão vital como a sobrevivência física de todos nós. Ninguém ignora que o que tem vindo a equilibrar a nossa balança económica tém sido os emigrantes e os turistas. Se, de repente, ficarmos isolados, não somos capazes de nos manter. Ora, se temos de contar com as Forças Armadas, para a defesa do território. por outro lado, temos de contar com a Agricultura. Mas, os agricultores continuam a ser uma classe extremamente desfavorecida, e o que vale à economia política portuguesa é que o pequeno proprietário agrícola não faz contas.
Sabemos que Vossa Alteza é Presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Nelas. Quer falar-nos da importância dessas caixas?
-Ironicamente e um pouco demagogicamente diria que os bancos são organizações que tomam emprestado o dinheiro dos pobres para emprestar aos ricos, e pagam barato pelo dinheiro que recebem e fazem-se pagar caro pelo dinheiro que emprestam, e as pessoas sentem que já é tempo de não deixarem os seus créditos por mãos alheias. Criaram-se em tempos as Caixas de Crédito Agrícola que se têm desenvolvido muito. Temos em Portugal cerca de duzentas com dezenas de milhares desócios.
Vossa Alteza mencionou dois pontos de que gostaríamos que nos falasse: a guerra e o turismo. Que opinião temsobre a guerra nuclear?
- Acho que não tem importância porque ninguém está interessado nela. Só se houver um louco que resolva deitar uma bomba por razões de desespero. — Quanto ao turismo... — Houve um político qualquer que disse que o turismo é a prostituição de um povo, o que evidentemente é um exagero. Mas tem incovenientes. Um deles é estar-se dependente de uma clientela muito flutuante, o outro é contruirem-se hotéis feiíssimos e estragarem-se paisagens sob pretexto de turismo. Pergunto: o que iremos oferecer ao turismo se a nossa paisagem rural e litoral ficar completamente desfigurada? Isto acontece por culpa de certas administrações, que não são capazes de controlar o estilo das construções. Às vezes por incompetência ou por fraqueza, ou por ausência de normas claras, deixam fazer tudo. E nas aldeias os emigrantes são explorados por muitos construtores que os levam a gastar fortunas para construir casas péssimas e ridículas. Quem viajar pelo Minho ou a Beira Alta quase não encontra uma aldeia que não esteja desfigurada por casas que parecem mostruários de azulejos, autênticas casas de banho viradas do avesso...

Quer falar-nos agora da juventude portuguesa. Senhor Dom Duarte? - A juventude tem sempre tendência para estar insatisfeita com o que se está a passar, o que ê saudável. " Procura tornar-se. independente da geração dos pais. Essa fase manifesta-se de todas as maneiras: comportamentos anti-sociais, um certovandalismo... Por outro lado, quando os jovens são orientados no sentido de manifestarem a sua vontade de acção em campos mais positivos — e quero mencionar, por exemplo, o serviço cívico — tornam-se mais responsáveis. Lamentavelmente, os programas escolares contribuem muito para manter os jovens à parte da vida real. O programa escolar devia ter uma visão mais global e mais prática e isto não acontece só na primária, mas também no Liceu e até na Universidade.
Fale-nos agora da mulher, Senhor Dom Duarte.
- Parece-me que as mulheres do campo têm uma vantagem sobre as das cidades. O seu nível de cultura é muito mais próximo do marido. Ela com participa mais na vida dele. Nas cidades, as mulheres têm uma certa tendência a considerarem-se intelectualmente menores. Deixam-se ficar com uma cultura extremamente superficial: lêem fotonovelas, vêem telenovelas. mas não é culpa sua que a televisão escolha programas especialmente maus para as horas de grande audição. Isso ê culpa dos dirigentes da Televisão. Independentemente desta pequena crítica, há que fazer justiça à mulher que, nas épocas de crise, dá exemplos de coragem e de coerência muito superiores ao homem, que se deixa mais facilmente assaltar por uma certa histeria colectiva que se apodera de um pais. Além disto, é à mulher que se deve a educação básica do homem. São as mães que dão ao futuro cidadão o seu equilíbrio e o seu sentido cívico. Esse papel é importantíssimo para o equilíbrio social de um pais.
Para terminar, quererá Vossa Alteza dar-nos uma visão do que gostaria que fosse o mundo?
- Sinto-me um pouco tentado a citar o que o Papa João Paulo II disse no Natal: «Quando se afasta Deus da nossa vida particular, o mundo invivi-vel». Quem falar em casos de fanatismo, entendo que os lugares onde ainda se pode viver são aqueles em que Deus tem o seu lugar.
Era tempo de deixarmos a casa de Sintra, onde a hospitalidade de Sua Alteza Real o Duque de Bragança, nos proporcionara. Na viagem de regresso, recordámos uma bela frase da sua mensagem e sentimo-nos mais confiantes no futuro.
«O nosso povo pode vencer todas as crises se souber encontrar o caminho que conduza à recriação de Portugal.»
"Crónica Feminina" de 11 de Fevereiro de 1982
Fonte: Monarquia - www.monarquiaportuguesa.com
(Clique nas imagens para ampliar)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

S.A.R., PARTICIPA NA OFERTA DE DOIS QUADROS DE MARIA SOBRAL MENDONÇA AO MUNICÍPIO DE ÉVORA E HOTEL M'AR DE AR AQUEDUTO
Dois quadros da pintora Maria Sobral Mendonça vieram para Évora e ficaram instalados em dois sítios distintos, o município local e o Hotel M'Ar de Ar Aqueduto. A entrega foi feita por ocasião da XIII Tourada Real de Évora, na passada sexta-feira, numa cerimónia realizada na referida unidade hoteleira, na presença de muitos convidados, incluindo Dom Duarte de Bragança.
De acordo com Carlos Pegado, responsável da empresa Terra Brava, "a entrega destes quadros esteve relacionada com a exposição "Arte & Toiros" que promovemos o ano passado de Maria Sobral Mendonça, por altura da XII Tourada Real, no M'Ar de Ar Aqueduto durante dois meses".
Tal como referiu, este evento foi "um complemento à Tourada Real. Achamos que a tauromaquia também está ligada a outras artes e manifestações culturais, neste caso a pintura, e faz todo o sentido interligar uma coisa com a outra".
A obra que ficou no Hotel M'Ar de Ar Aqueduto foi "O Canto da Seara" e que, segundo Maria Sobral Mendonça, surgiu do "desafio de fazer um quadro emblemático para a recepção do hotel. O tema teria de estar relacionado com o Alentejo e com as muralhas".
A esse respeito, a pintora explicou que foi buscar aquilo que, na sua opinião, "diferencia o Alentejo, que é o seu chão. Ao falarmos de chão, estamos a falar daquilo que a terra dá. E o chão do Alentejo vence pelo pão. Por isso desenvolvi um quadro que tem a ver com a seara. É o canto porque tem uma série de personagens, no fundo o povo alentejano, que estão a dançar, estando também relacionado com os cantares".
À Câmara Municipal de Évora (CME) foi entregue "um dos quadros que esteve na exposição do ano passado, altura em que a autarquia foi patrocinadora do beberete", realçou Maria Sobral Mendonça, acrescentando que "o senhor presidente e a senhora vereadora escolheram o quadro a ser oferecido".
O director-geral dos Hotéis M'Ar de Ar, Diogo Fonseca e Silva, mostrou-se satisfeito com o resultado, reforçando que "é aquilo que nós queríamos, uma peça marcante para a recepção do hotel".
Na altura da entrega do quadro à autarquia, a vereadora da CME, assumiu as dúvidas que ainda existiam acerca do local onde o quadro vai ficar exposto. Para Cláudia Sousa Pereira, "acolher este género de iniciativas na cidade é um motivo para que todos os eborenses perceberem que de facto Évora é uma pérola da Humanidade", lembrando que "é muito comum quem está longe apreciar mais do que quem está perto".
Dom Duarte de Bragança, que veio assistir à Tourada Real de Évora, descerrou uma placa alusiva a esta iniciativa cultural. Na ocasião, o Duque de Bragança confessou que "gosto muito das obras da pintora", classificando este quadro em particular ("O Canto da Seara) como "muito bonito e interessante".
Na sua perspectiva, "com a arte contemporânea há sempre um problema muito difícil que é saber quem define se é ou não bonito. Por vezes, há coisas completamente disparatadas que são consideradas como muito boas pelos críticos", frisou Dom Duarte, afirmando que, "muitas vezes, o critério tem mais a ver com a personalidade do artista, do que com a obra em si".
Em relação a Évora, disse que "o mais importante é mostrar o exemplo de uma cidade que tem conseguido salvar o seu património e cuja área histórica conseguiu ser preservada. Por fora já não digo o mesmo. Era mais interessante que a nova arquitectura fora da cidade fosse de algum modo uma continuidade da arquitectura da cidade, em vez de ser a 'chapa três' que está no computador do arquitecto e que é igual em todo o lado", concluiu.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NÓS PORTUGUESES
A sobrevivência de qualquer comunidade, da mais circunscrita como a família, à mais alargada como o caso duma Nação depende, de entre outros factores, de uma cultura de serviço e altruísmo, ou noutra palavra, de “amor”. É sobre esta perspectiva que eu descreio profundamente na viabilidade duma Pátria sustentada em contas de mercearia, na disputa de interesses individuais ou corporativos, assente numa cultura de conflito permanente com a sua História, na desconstrução sistemática dos seus símbolos e tradições. Atingida a Idade do sacrossanto indivíduo, democratizado o hedonismo, o grande desafio da democracia, para a sua própria sobrevivência, é a restauração da mística desse “amor”, cimento último de qualquer tribo. Reduzidos por estes dias à figura de Consumidores, com existência circunscrita às estatísticas e sondagens, para toda a sorte de duvidosos interesses, tal metamorfose só será possível através duma inspiradora metapolítica que nos resgate uma causa comum, para voltarmos de novo a ser um Povo.
É JÁ NO SÁBADO A "ARRUADA MONÁRQUICA" PELAS RUAS DO PORTO! Data: Sábado, 17 de Julho de 2010
Hora: 15:30 - 18:30
Local: Concentração na Praça da Batalha (Porto)